Igreja reforça posição contra aborto e adoção de crianças por homossexuais

Material está incluído no Manual da Bioética que expõe o ponto de vista da Igreja em relação a vários temas controversos

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo,

20 Julho 2013 | 20h24

RIO - No kit distribuído aos jovens inscritos na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), além do Guia do Peregrino, foi incluído o Manual da Bioética, editado pela Comissão Nacional da Pastoral Familiar, vinculada à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que expõe o ponto de vista da Igreja em relação a vários temas controversos e reforça a posição contrária ao aborto e à adoção de crianças por casais do mesmo sexo. 

 

O livrinho discute temas como concepção, pesquisa com embrião, reprodução assistida, diagnóstico pré-natal, doação de órgãos e eutanásia com argumentos científicos, além de religiosos. No item sobre aborto, alerta que "a expressão interrupção da gravidez mascara a realidade, ocultando a morte do principal interessado: a criança". Desenhos das várias etapas da gestação ilustram o capitulo, que detalha os diferentes métodos de aborto. 

 

Apesar de condenar a interrupção voluntária da gravidez, a publicação diz que, "depois de um aborto, a mulher deve ser amparada, pois pode estar numa grande solidão e ter um sentimento de culpa e precisará construir o seu futuro aceitando incluir aquele acontecimento". 

 

O texto defende a preservação do feto também nos casos de estupro: "A mãe tem de ser muito bem acompanhada depois de um tal traumatismo, mas matar a criança não anula o drama. É junta rum drama a outro drama. O criminoso deve ser punido, para por que é que a criança inocente deverá, ela, sofrer a pena de morte que o criminoso não sofre?"

 

No capítulo "A teoria do gênero", o manual nega que a rejeição à adoção de uma criança por casais do mesmo sexo seja homofobia. "Não (representa homofobia), porque a questão é outra. Ter um filho não é um direito. O filho não é um bem de consumo (...) É preciso um homem e uma mulher para gerar um filho. Querer ignorar essa exigência biológica é um forte indício de que a reivindicação não é justa", diz o manual.

 

O manual, bastante didático, é uma "versão especial JMJ", como diz a introdução assinada pelo arcebispo do Rio de Janeiro, d. Orani Tempesta, e por Jean-Marie Le Mene, presidente da Fundação Jérôme Lejeune, instituição de pesquisa e atendimento a pessoas com deficiências genéticas. "Trata-se de uma apresentação objetiva das grandes questões de bioética com as quais somos todos confrontados, que nos deixam frequentemente desamparados", diz a introdução. 

 

Sobre filhos criados por pais ou mães homossexuais, o manual diz que "é essencial ser amado pelos pais, mas não basta". "Criar, educar um filho ultrapassa o lado afetivo, embora todos os componentes se misturem (...) A criança precisa de pai e mãe para se desenvolver", reforça. 

 

A publicação também rejeita a pesquisa com células-tronco embrionárias, o que considera "imoral porque elas são obtidas através da destruição de embriões humanos". Há ainda um alerta sobre o diagnóstico pré-natal que, segundo o manual, "atualmente foge a esta política de proteção da saúde da mãe e da criança, pois serve frequentemente para detectar anomalias cujo diagnóstico leva frequentemente a uma decisão de abortar". 

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