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Igreja suspende Festa da Misericórdia no Rio por causa de ocupação

Thaise Constancio - O Estado de S. Paulo

27 Abril 2014 | 15h 06

Ex-moradores da Favela da Telerj, no Engenho Novo, na zona norte, estão em terreno da Catedral Metropolitana

RIO - A Arquidiocese do Rio de Janeiro suspendeu a Festa da Misericórdia deste domingo, 27, por causa da ocupação do terreno da igreja pelos antigos ocupantes da Favela da Telerj, no Engenho Novo, zona norte do Rio. Esta é a segunda festa religiosa suspensa em decorrência da ocupação. A celebração da Paixão de Cristo, no dia 18 de abril, também precisou ser cancelada.

Tradicionalmente celebrada pela Igreja Católica no domingo seguinte à Páscoa, o tema deste ano da festa seria "Santidade, Evangelização e Caridade". A missa seria também uma homenagem aos papas João Paulo II e João XXIII, canonizados pelo papa Francisco.

Neste domingo, uma comissão com integrantes de diversos setores da sociedade se reuniu com os desabrigados para buscar soluções sobre o impasse com os governos municipal e estadual. Os sem-teto querem receber aluguel social ou uma casa imediatamente, enquanto os governos defendem que eles fiquem em abrigos até que seja encontrada uma solução.

No sábado, 26, o arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, reuniu-se com 44 representantes dos governos estadual e municipal, dos poderes judiciário e legislativo, defensoria pública, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ), lideranças de entidades que atuam no âmbito social para debater soluções sobre o destino dos sem-teto e sobre a abordagem desta tarde.

Migração. Após serem retirados do terreno da empresa de telefonia Oi, no Engenho Novo, no dia 11 de abril, um grupo de desabrigados acampou na frente da sede administrativa da Prefeitura, depois se instalaram na Favela da Telerj e ocuparam o terreno da Catedral Metropolitana do Rio, na Lapa.

Estatísticas. Levantamento feito pela Pastoral do Menor apontam que 195 pessoas de 74 famílias ocupam o terreno da Catedral. Metade deles são menores de idade. As famílias são procedentes de 12 bairros da cidade, 31 famílias sobrevivem de trabalho informal e 21 com ajuda de parentes. Apenas 23 famílias estão inscritas no Minha Casa, Minha Vida e 20 são cadastradas no Bolsa Família.