Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Imóvel tombado no Rio será transformado em moradia popular

Além do edifício Avenida Modelo, construído em 1888, outras dez construções serão reformadas

Tiago Rogero, estadão.com.br

13 Julho 2011 | 19h23

RIO - Pela primeira vez no Estado do Rio, um imóvel tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) será transformado em moradia popular. O edifício Avenida Modelo, de 1888, será o primeiro de dez construções do Centro do Rio, de propriedade do governo do Estado, a ser reformado pela secretaria estadual de Habitação (SEH), em parceria com o Ministério das Cidades. O projeto foi anunciado na terça-feira, 12, no Rio.

 

"Entramos na Justiça em 1999 contra o governo estadual. Cobrávamos do Estado a reforma do Modelo. Tantos anos se passaram que o caso agora é de reconstrução", disse o superintendente do Iphan no Rio, Carlos Fernando Andrade, lembrando que o sobrado do edifício teve de ser demolido há um ano, para não desabar. Sobraram oito casas, todas ocupadas, metade ilegalmente.

 

O edifício foi o primeiro - e único até hoje, no Estado - tombamento realizado pelo Iphan de uma "habitação coletiva", classificação para cortiços, estalagens, vilas e casas de pensão. "Procurou-se preservar a tipologia de algumas formas de habitação do século XIX, e vamos exigir que isso seja mantido na reforma", disse Andrade. O conjunto de casas, originalmente, foi destinado a antigos servidores do governo estadual.

 

Em 1986, o sociólogo Sérgio Gil Marques dos Santos realizou um "levantamento social" dos moradores, poucos meses após o tombamento, para saber como a mudança havia sido recebida. "Estavam felizes com o tombamento, mas temiam ser expulsos. Eram pessoas muito pobres". 25 anos depois, pouca coisa mudou.

 

 

Apesar de feliz pela reforma, a aposentada Raimunda Cândido Ribeiro, de 64 anos, não esconde a preocupação: "Será que vão nos deixar ficar quando tudo estiver pronto?" O secretário de Habitação, Leonardo Picciani, garantiu que "os moradores que já moram no edifício e foram cadastrados receberão o título de posse pelo governo do Estado e permanecerão".

 

A reforma do Modelo, prevista para terminar no 1º semestre de 2012, vai custar ao Estado R$ 1 milhão. Segundo a dona de casa Rosângela Costa, de 55 anos, muito precisará ser feito. Para os nove imóveis restantes, serão necessários R$ 16 milhões. A SEH pretende arcar com 25% dos gastos e o restante ficará a cargo da União.

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