Indio anuncia saída do DEM e Rio passa a ser prioridade de líderes

Executiva quer evitar debandada para partido de Kassab; ex-deputado deve disputar a prefeitura carioca no próximo ano

Marcelo de Moraes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 Março 2011 | 00h00

Surpreendida na noite de ontem com a saída do ex-deputado Indio da Costa (RJ), a nova Comissão Executiva Nacional do DEM se reúne hoje em Brasília para neutralizar eventual efeito dominó nas fileiras do partido no Rio de Janeiro, um dos centros de gravidade da legenda.

A missão é estancar novas baixas, materializadas após o movimento liderado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, com a criação do PSD (Partido Social Democrático). Na contabilidade do partido, o DEM deverá perder pelo menos 7 de seus 43 deputados federais, mas existe a avaliação de que, à exceção de Kassab, os quadros perdidos não faziam parte da linha de frente da legenda.

A caminho do partido de Kassab, o candidato a vice na chapa presidencial de José Serra (PSDB) é o nome do PSD para disputar a prefeitura do Rio, em 2012. "Saio do DEM para continuar na política. Defenderei, onde estiver, as mesmas ideias, valores e princípios que defendi em 2010", escreveu Indio no Twitter, à noite.

À tarde, após encontrar Kassab, Indio havia dito que sua situação no DEM estava complicada, principalmente pela decisão do do ex-prefeito Cesar Maia de assumir pessoalmente o comando do diretório municipal do partido. "Essa atitude dificulta a convivência", desabafou o ex-deputado, após almoço com o prefeito paulistano.

Indio classificou a decisão de Maia como "catastrófica". "Se tem um partido que se diz democrata, a primeira coisa que se tem de fazer é praticar a democracia partidária." No Rio, a tendência é que Cesar Maia defenda a candidatura de seu filho, deputado Rodrigo Maia, à prefeitura.

Estancamento. No radar do DEM, além de movimentos de insatisfação detectados no Rio, aparece o deputado Vilmar Rocha (GO), que também estaria de malas prontas para o PSD. Fora ele e os quatro parlamentares paulistas que já decidiram acompanhar Kassab, o DEM já contabiliza a iminente desfiliação dos deputados Paulo Magalhães e Fernando Torres, ambos da Bahia.

Outra que pode deixar a legenda é a deputada Nice Lobão (MA). Ela é casada com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que pertence ao PMDB, mas ainda mantinha laços políticos com o DEM. Nice também deverá trocar o partido pelo PSD de Kassab.

Diante desse cenário, os dirigentes do DEM avaliam que conseguiram interromper a sangria na legenda. Especialmente por conta da troca do comando do partido, agora presidido pelo senador José Agripino Maia (RN), e pelo apoio recebido de aliados do PSDB, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador mineiro Aécio Neves, que ajudaram a segurar políticos no partido.

Na reunião de hoje, a tendência é que o DEM se organize para prestigiar os políticos que preferiram continuar na legenda, em vez de atenderem ao convite feito por Kassab para mudarem para o PSD. Assim, esses partidários passariam a ocupar espaços nas comissões mais nobres do Congresso (no caso de deputados federais e senadores) e vagas importantes nos diretórios regionais e municipais, no caso de prefeitos e vereadores. / COLABORARAM DAIENE CARDOSO e LILIAN VENTURINI

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