Índios de Mato Grosso tendem a apoiar Serra

A tendência da maioria dos 6.774 índios de Mato Grosso é votar no candidato José Serra (PSDB) no dia 31. Os indígenas mato-grossenses se sentem abandonados pelo governo Lula. O líder indígena Megaron Tcukarrmãe , que é aliado de outro cacique importante na região, e também do seu tio, o cacique Raoni, disse que Lula tem demonstrado ser o inimigo número um dos índios.

Fátima Lessa ESPECIAL PARA O ESTADO CUIABÁ, O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2010 | 00h00

Durante os oito anos do governo petista, os índios mantiveram grandes embates, principalmente com relação à construção de usinas hidrelétricas em rios que passam dentro de terras indígenas. O maior deles é com relação à construção da Usina Belo Monte, no rio Xingu. Também reclamam da falta de demarcação de terras já definidas mas nunca executada.

Na opinião do cacique Megaron, a vitória da Dilma significa enfraquecimento dos índios. "Ela vai enfraquecer a Funai. Vamos ficar sem tutela", disse. Ele afirmou que um dos maiores problemas dos petistas é que "eles querem fazer as coisas sem escutar os índios".

Apesar de dizer que é trabalhador e não político, Megaron acredita que a melhor forma de mudar é a participação nas eleições. "É um momento importante para os índios votarem em quem acreditam que vá fazer alguma coisa pelos povos indígenas."

No dia 3, o cacique Raoni, que não declarou abertamente o seu voto, disse que o presidente Lula deixará o governo com uma grande dívida com os povos indígenas. "Ele não cumpriu o que prometeu que faria por nós índios".

O cacique, uma das maiores lideranças indígenas conhecidas no Brasil e no exterior, afirmou: "o governo Lula foi muito ruim para os indígenas. Insistiu com a construção da Belo Monte (usina) que vai prejudicar nós (sic)".

A exemplo do que aconteceu no primeiro turno, o Tribunal Regional Eleitora de mato Grosso (TER-MT) colocará à disposição 57 seções eleitorais distribuídas em 18 municípios para receber o voto do eleitor índio. O esquema de segurança será da Polícia Federal e contará com apoio logístico da Polícia Militar e Civil.

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