Inquérito conclui que Juan foi morto por policiais militares no Rio

Segundo investigação, não houve troca de tiros com criminosos; agentes tiveram prisão pedida

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

20 Julho 2011 | 13h47

RIO - A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) concluiu nesta quarta-feira, 20, que o estudante Juan Moraes, de 11 anos, foi executado por quatro policiais militares em uma operação forjada onde não houve troca de tiros com criminosos na Favela Danon, em Nova Iguaçu. O Ministério Público pediu a prisão temporária dos PMs acusados por dois homicídios duplamente qualificados, duas tentativas de homicídio e ocultação de cadáver. Um deles também teve a prisão preventiva pedida nesta quarta por uma execução cometida há três anos.

 

A perícia da Polícia Civil derrubou a versão de tiroteio apresentada pelos sargentos Isaías Souza do Carmo e Ubirani Soares e pelos cabos Rubens da Silva e Edilberto Barros do Nascimento. Além dos assassinatos de Juan e de Igor de Souza Afonso, de 17 anos, eles responderão por tentar matar o irmão do estudante, de 14 anos, e um vendedor, de 19. Ambos baleados e incluídos em programas federais de proteção a testemunhas.

 

"Todos os tiros foram de fuzil. Testemunhas disseram ter ouvido rajadas. Isso comprova que não houve disparo de qualquer outra arma", disse Ricardo Barboza, delegado titular da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, que investiga o caso. No início do mês, o diretor de Polícia Técnica e Científica da Polícia Civil, Sérgio Henriques, revelou que não foram encontrados indícios de disparos por parte de criminosos. Segundo ele, as cinco cápsulas deflagradas encontradas na cena do crime eram de fuzil 7.62, o mesmo calibre usado pelos PMs, que dispararam pelo menos 30 vezes.

 

O advogado dos policiais, Edson Ferreira, disse que não iria comentar o pedido de prisão do Ministério Público até a decisão da Justiça. Ele também informou que não se pronunciaria sobre o resultado da perícia. Os quatro acusados negam a participação na morte de Juan. No registro de ocorrência, os PMs apresentaram uma arma com quatro cápsulas intactas, que seria de Igor e drogas como pertencentes aos baleados. Os quatro policiais envolvidos já participaram de 36 autos de resistência (mortes de criminosos em confronto com agentes).

 

O MP do Rio pediu nesta quarta a prisão preventiva de um dos acusados, o cabo Edilberto Barros do Nascimento, por outra execução. Ele, que participou de 13 autos de resistência, também responderá junto com outros três policiais por homicídio duplamente qualificado, constrangimento ilegal, além da violação de domicílio no assassinato do ex-presidiário Júlio César Andrade Roberto, em julho de 2008.

 

"Testemunhas relatam que familiares de Júlio Cesar foram agredidos e impedidos de prestar socorro ao parente. Os acusados invadiram a residência da mãe da vítima em data posterior sem qualquer mandado judicial para intimidar ", disse a promotora Júlia Costa Silva Jardim, da 1ª Promotoria de Justiça da 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu.

 

Memória. A investigação do caso Juan começou com o atraso da perícia realizada apenas uma semana depois do desaparecimento da criança, no dia 20 de junho. Dez dias depois, uma ossada foi encontrada no Rio Brotas, a 2 km do local do crime. No entanto, a perita Marilene Campos de Lima atestou que era de uma menina. Após um exame constatar que os restos mortais eram realmente de Juan, o responsável pelo caso, o delegado da 56ª Delegacia de Polícia de Comendador Soares, Cláudio Nascimento, foi afastado das investigações.

 

Texto atualizado às 19h10.

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