Investigada, MTA quer levar aviões para Miami

Pivô da crise que derrubou a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, empresa aérea pediu à Anac autorização para fazer voos extras para EUA

Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2010 | 00h00

Personagem da crise que derrubou Erenice Guerra da Casa Civil, a Master Top Linhas Aéreas (MTA) tenta o aval do governo para viajar com seus aviões a Miami. A empresa pediu oficialmente à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorização para fazer voos extras para a cidade americana.

Miami é sede do grupo Centurion, do empresário argentino Alfonso Rey, dono oculto da MTA - que, na prática, aluga os aviões para a empresa funcionar no Brasil e fazer transporte de carga para os Correios.

A MTA está no centro do episódio que envolve um filho de Erenice, Israel, em tráfico de influência e cobrança de propina para ajudar a empresa dentro do governo. O Estado revelou na terça-feira que MTA não vem cumprindo os contratos milionários com os Correios e caminha para fechar as portas. Sem dinheiro para abastecer os aviões, a empresa não voa desde 27 de setembro e tem procurando fornecedores para fazer acordos. O argentino Alfonso Rey também já havia sinalizado que, se a situação financeira não melhorasse, pretendia retirar os aviões do Brasil. São pelos menos quatro aeronaves "alugadas" por suas empresas à MTA, segundo os contratos de leasing obtidos pelo Estado.

O pedido feito à Anac pode ser o primeiro passo para que a MTA consiga retirar as aeronaves do País. Oficialmente, a empresa tem o aval para fazer dois voos regulares de ida e volta para Miami por semana, com datas e plano de voo determinados para retorno. Agora, pede autorização para realizar 30 voos em três meses, o que abre possibilidade de levar as quatro aeronaves sem prazo de volta ao País.

Segundo a Anac, o pedido será levado para as autoridades americanas, que decidirão com a MTA em Miami sobre o assunto.

Além de envolver-se no escândalo que levou à demissão de Erenice, a MTA perdeu na Justiça o contrato de R$ 44,9 milhões que conquistara mediante liminar. Na verdade, ela venceu a licitação em julho, mas não entregou documentos no tempo exigido. Foi desclassificada e recorreu à Justiça para continuar a operar para os Correios.

Enquanto o negócio estava sendo na Justiça, os Correios fizeram um contrato de emergência de R$ 19 milhões com a própria MTA, com vencimento em novembro. Agora, com a derrota nos tribunais, a empresa perdeu esse contrato e deixou de ter o de R$ 44,9 milhões, que passou a ser operado pela Rio Linhas Aéreas. Sobraram ainda três contratos que somam R$ 40 milhões.

Desde maio, a empresa vinha sendo multada por atrasos na operação das linhas. Até agosto, teve pelo menos R$ 1,1 milhão aplicado em multas. Nesse montante, ainda não estão contabilizadas as penalidades aplicadas em setembro e outubro, meses em que a situação se agravou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.