Jobim anuncia debate sobre desmilitarização do controle aéreo

Segundo o ministro, "estão superados" os problemas que levaram os controladores ao motim de 30 de março

Entrevista com

Tânia Monteiro, Estadão

04 Outubro 2007 | 14h03

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou nesta quinta-feira, 4, pela primeira vez, que discutirá a questão da desmilitarização dos serviços de controle do tráfego aéreo civil. A polêmica sobre essa medida - principal reivindicação dos controladores - estava encerrada desde que o novo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, assumiu o cargo em fevereiro. Ele havia se declarado contrário ao projeto dos sargentos que monitoram os aviões comerciais civis, de levar adiante a idéia de desmilitarização do setor, defendida pelo ex-ministro Waldir Pires.   "Vamos abrir essa discussão, se é caso de desmilitarização, ou não, do controle aéreo", declarou Jobim, em entrevista à Rádio Nacional, fazendo as ressalvas de que "essas coisas não se fazem no afogadilho" e que é preciso discutir o tema "com tranqüilidade, com absoluta paciência para entender o problema do controle aéreo."   Jobim disse que não tem "ponto de vista formado sobre o assunto (desmilitarização)" e que examinará a questão e levará para a pauta de discussão a possibilidade "de mediar o sistema, ou seja, de a circulação aérea da aviação civil ficar com os civis, e a defesa do espaço aéreo ficar com os militares".   Esta separação, segundo o ministro, depende de mudança que em relação aos centros integrados de defesa aérea e controle de tráfego aéreo - os Cindactas. Jobim comentou que, "hoje, o ambiente de trabalho é o mesmo, o ambiente onde se fiscaliza a defesa do espaço aéreo e se decide sobre a circulação da aviação civil no País é o mesmo."   "Questão de tempo"   Na entrevista, o ministro da Defesa rebateu as declarações do presidente da Federação Internacional de Controladores de Tráfego Aéreo (Ifatca), Marc Baumgartner, de que é uma "questão de tempo para que um novo acidente aéreo" ocorra no País e de que "a FAB (Força Aérea Brasileira) investiu muita energia para prender e perseguir seus próprios funcionários, sem gastar nenhuma energia para corrigir as falhas em seu sistema."   Jobim afirmou que esse tipo de denúncia "não é isenta, porque tem por objetivo político criar um ambiente para resolver questões salariais. Segundo o ministro, essas afirmações "fazem parte de um jogo político e corporativo para dar apoio aos controladores de tráfego aéreo", que ele assegura que, no momento, estão "sossegados", desenvolvendo normalmente seu trabalho.   Jobim assegurou que "estão superados" os problemas que levaram os controladores ao motim de 30 de março, quando paralisaram os vôos no País, reivindicando, entre outras medidas, a desmilitarização do setor. Segundo o ministro, a questão dos controladores "está equacionada", "a hierarquia (nas Forças Armadas) foi restabelecida", e os momentos de crise não se repetirão.   Jobim sinalizou que o fim deste ano, quando há um aumento da demanda no tráfego aéreo, "será mais tranqüilo", porque a malha está sendo ajustada, e isso deverá estar concluído "até o final de novembro."

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