Jobim vai estudar desmilitarização e anuncia auditoria

Ministro da Defesa disse que um grupo internacional independente vai avaliar controle de vôo no País

Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

05 Outubro 2007 | 00h00

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, sinalizou ontem, pela primeira vez, que poderá discutir a questão da desmilitarização do tráfego aéreo civil. Essa idéia, uma das principais reivindicações dos controladores, foi posta fora de debate desde que o novo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, assumiu o cargo em fevereiro. Ontem, Jobim anunciou também que deve contratar uma auditoria internacional independente para avaliar o sistema brasileiro de controle e proteção do tráfego aéreo. Na entrevista concedida ao programa de rádio Bom Dia, Ministro, transmitido pela Rádio Nacional, Jobim disse ainda que ''''o sistema de aviação no Brasil é absolutamente seguro'''' e o governo está trabalhando para devolver à população ''''a percepção, a sensação de segurança'''' que reconhece que não existe hoje por causa da crise aérea enfrentada pelo País no último ano. A desmilitarização do controle chegou a ser discutida entre os sargentos que trabalham nos centros de controle (Cindactas) e o ex-ministro da Defesa Waldir Pires. ''''Vamos abrir esta discussão, se é caso de desmilitarização ou não do controle aéreo'''', afirmou o Jobim, ressalvando que ''''essas coisas não se fazem no afogadilho''''. Jobim acrescentou que vai levar para a discussão a possibilidade de dividir em dois o atual sistema, ou seja, ''''de a circulação aérea das aviação civil ficar com os civis, e a defesa do espaço aéreo ficar com os militares''''. Essa separação, segundo o ministro, ''''depende de mudança a estruturar nos Cindactas''''. A discussão surge no momento em que a Aeronáutica planeja uma mudança no sistema nacional de controle (veja quadro ao lado), tirando operações do Cindacta-1 (Brasília-São Paulo). Anteontem, a Aeronáutica anunciou que pretende redesenhar até o fim deste mês a área sob responsabilidade do centro de controle de vôo de Brasília (Cindacta-1). O objetivo é tentar aliviar a carga de trabalho sobre os controladores, hoje responsáveis por monitorar quase 80% dos vôos do País. Com a mudança, uma fatia do Cindacta-1 será transferida para o Cindacta-2, com sede em Curitiba. AUDITORIA O ministro da Defesa anunciou que tem a intenção de contratar uma consultoria independente, que deve ser internacional, para fazer uma avaliação do sistema de controle do tráfego aéreo. Para 2009, está prevista uma fiscalização da Organização de Aviação Civil Internacional (Icao, na sigla em inglês). Jobim reiterou que o sistema não tem problemas, e que as críticas da Federação Internacional de Controladores de Tráfego Aéreo (Ifatca) ''''têm outros interesses e fazem parte de um apoiamento a todo o sistema corporativo dos próprios controladores''''. O presidente da Ifatca, Marc Baumgartner, disse ontem que ''''''''é uma questão de tempo para que um novo acidente aéreo volte a acontecer no Brasil'''' (Leia texto nesta página). Para Jobim, esse tipo de denúncia ''''não é isenta porque tem por objetivo político criar um ambiente para resolver questões salariais''''. O ministro disse que os problemas que levaram ao motim de 30 de março ''''estão superados'''' e que ''''a hierarquia (nas Forças Armadas) foi restabelecida''''. Jobim sinalizou que o fim deste ano ''''será mais tranqüilo'''' porque a malha aérea está sendo ajustada e isso deverá estar concluído ''''até o final de novembro''''. COLABOROU PATRÍCIA CAMPOS MELLO FRASES Nelson Jobim Ministro da Defesa ''''Vamos abrir essa discussão, se é caso de desmilitarização ou não do controle aéreo'''' Ingo Marowsky, Secretário do setor de aviação civil da Federação Internacional de Trabalhadores de Transportes ''''É preciso fazer alguma coisa antes que mais vidas sejam perdidas''''

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