Jornais apostam em novo desenho e mais contexto

Diante da nova realidade, onde o jornal impresso compete diretamente com outras mídias, como a internet, diversos periódicos da América Latina passaram por reformulações - tanto na forma como no conteúdo - nos últimos anos. A informação é de Alberto Cairo, diretor de infografia da revista Época, que mediou um debate sobre o assunto ontem no congresso realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em São Paulo.

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2011 | 00h00

No ano passado, por exemplo, dois dos maiores jornais brasileiros, o Estado e a Folha de S.Paulo, lançaram novos projetos gráficos.

Segundo o diretor de conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, a reforma gráfica de uma publicação não deve apenas ter como objetivo tornar a leitura mais agradável, mas é o momento de se repensar como trabalhar a plataforma papel diante das novas mídias que estão surgindo.

O Estado estreou o novo projeto em março de 2010 e, de acordo com Gandour, apostou não apenas em um novo design para suas páginas, mas também em fazer um jornal mais analítico, com notícias mais contextualizadas, dando espaço para mais artigos, relatos de bastidores e descrições de cenários.

Gestação. Segundo o diretor de arte do Estado, Fabio Sales, a equipe que pensou a reformulação de jornal envolveu mais de 15 pessoas e teve a assessoria da empresa de consultoria e estratégia editorial Cases i Associats, de Barcelona (Espanha). "Foram mais de 6 mil horas de trabalho, ao longo de nove meses, praticamente uma gestação", disse.

Simultaneamente, o site do jornal também foi reformulado. Sales contou que pesquisas de opinião com leitores ajudaram tanto a pensar a renovação do Estado quanto a do portal estadão.com.br.

A Folha de S.Paulo também passou por um processo de reformulação gráfica no ano passado. O secretário de redação de produção, Vinicius Mota, disse que o objetivo foi deixar o jornal mais limpo, sem tantas cores e peças gráficas.

Mota destacou ainda que, apesar da concorrência com as novas mídias, a circulação de jornal tem crescido no País.

"Por mais que as pessoas tenham acesso a notícias na internet, elas ainda gostam de, no outro dia, poder ler um resumo bem feito dos fatos", disse.

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