Ana Lícia Menezes e Marco Vieira/ Prefeitura de Aracaju
Ana Lícia Menezes e Marco Vieira/ Prefeitura de Aracaju

Jovem é baleada durante confronto entre Guarda Municipal e MTST em Aracaju

Tumulto começou após Guarda Municipal abordar grupo de cinco homens que estariam com drogas; MTST acusa agentes de atirarem contra integrantes da ocupação

Paulo Roberto Netto, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2018 | 16h59

SÃO PAULO - Uma mulher de 18 anos foi atingida no peito por uma bala perdida na noite desta sexta-feira, 11, durante confronto entre agentes da Guarda Municipal de Aracaju (GMA) e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). O conflito ocorreu na Ocupação Marielle e Anderson Vivem, localizada bairro Coroa do Meio, área nobre da cidade.

Em nota de esclarecimento, a Prefeitura de Aracaju garante que o confronto começou após agentes da GMA abordarem cinco homens em um veículo. O grupo estaria de posse de maconha e cocaína, o que levou à ordem de prisão. "Ao notar que eles seriam presos, dezenas de pessoas da ocupação começaram a atirar pedras e pedaços de madeira, além do disparo de rojões contra a guarnição", escreveu a Prefeitura. Os agentes dispararam para o alto para dissipar o tumulto.

Durante o confronto, a jovem Natanely Pereira dos Santos, de 18 anos, foi atingida por uma bala perdida. Ela foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento Fernando Franco e então transferida para o Hospital de Urgência de Sergipe. 

+ Prédios tombados no centro de SP abrigam ocupações

Inicialmente, o MTST informou que a jovem estava grávida, mas negou a informação em publicação postada no site do movimento. O estado de saúde de Natanely dos Santos é estável e ela passa bem.

A Prefeitura alega que "não há ainda nenhuma confirmação que o ferimento da vítima Natanely Pereira dos Santos tenha sido causada por projétil de arma de fogo disparado por algum integrante da organização". Além disso, informa que a direção da Guarda Municipal recolheu as armas dos agentes para realização de perícia.

Três dos cinco homens detidos durante o confronto tinham passagens por porte ilegal de arma de fogo, roubo e tráfico de drogas. Os outros dois foram liberados.

+ Polícia vai apurar cobranças a moradores em outras ocupações de SP

Segundo Ygor Schimider, integrante da coordenação estadual do MTST-SE, a versão da Prefeitura é "completamente mentirosa". "Eles fizeram uma revista completa no carro e não encontraram absolutamente nada", afirma.

De acordo com o Schimider, os agentes liberaram o veículo e então apontaram para um grupo de cinco jovens detidos anteriormente. "Logo após a revista, o agente me mostrou cinco rapazes, que eu não tinha visto, e disse que um deles foi pego entrando com drogas na ocupação". O MTST nega que houvesse drogas na ocupação e disse que área era ponto de passagem de pessoas.

Sobre os tiros, o coordenador afirma que "não foram disparos de aviso". "Muita gente testemunhou que, após disparar para cima e contra a população, um guarda continuou atirando enquanto deixava o local".

+ Grupo que cuidava de prédio que desabou surgiu de invasões em série

A ocupação Marielle e Anderson Vivem, localizada no bairro Coroa do Meio, esteve no local desde o dia 04 de maio. Neste sábado, a Prefeitura determinou que os integrantes fossem removidos para um galpão na Rua Acre, no bairro Siqueira Campos. Uma reunião entre o MTST e a Prefeitura sobre o destino da ocupação foi agendada para a próxima segunda-feira, 12.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.