Júri leva 23 anos para livrar réu

Pedreiro confessou assassinato em legítima defesa

Rejane Lima, O Estadao de S.Paulo

02 Outubro 2008 | 00h00

O auxiliar de pedreiro Henrique Pai de Oliveira, de 51 anos, desabafou, chorando: "Era o que mais esperava na vida." Ele foi absolvido ontem no Tribunal do Júri de Cubatão da acusação de ter assassinado seu meio-irmão há 23 anos ao acertá-lo diversas vezes na cabeça com um pedaço de pau. Ele confessou, mas os jurados consideraram que ele agiu em legítima de defesa. Oliveira veio de Maceió, onde vive desde 1986, para a sentença. O advogado Mario Sérgio Gochi chorou ao informar a decisão ao cliente, que, com a mulher e a cunhada, aguardava fora do plenário. "É a primeira vez que eu me emociono desse jeito. É que eu tenho absoluta convicção de que ele era inocente e ficou preso três anos, dois meses e dez dias porque o Estado não está aparelhado." Em 27 de outubro de 1985, Oliveira matou o irmão, após ter sido atacado por uma cadeira de ferro e ameaçado com uma faca. Ele confessou dois dias depois, foi dispensado e voltou ao Nordeste. Foi intimado em 2003, compareceu ao fórum e de lá saiu para o presídio. Foi solto em 2006. O promotor Jorge Costinhas Júnior disse que vai analisar o processo para decidir se recorrerá.

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