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Justiça de Goiás decreta prisão preventiva do assassino de Glauco

Marília Assunção - Especial para o Estado

03 Setembro 2014 | 18h 54

Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, é suspeito de um latrocínio e de ter tentado matar outra pessoa

GOIÂNIA - O Tribunal de Justiça de Goiás informou, no início da noite desta quarta-feira, 3, que o  juiz Gustavo Daluf Faria, da 5ª Vara Criminal de Goiânia, converteu a prisão em flagrante de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, em prisão preventiva "para garantir a ordem pública". Ele é suspeito de um latrocínio (matar para roubar) e de ter tentado matar outra pessoa, também para roubar.

O juiz considerou que já há indícios materiais e de autoria dos crimes por parte de Cadu. "A prova da existência do crime está consubstanciada nos depoimentos dos autos do flagrante delito, precipuamente pelo depoimento das testemunhas e condutores do autuado. A autoria se afigura robustecida, já que houve o reconhecimento por testemunhas como sendo o autuado quem efetuou a subtração dos bens e efetuou os disparos que levaram a vítima à morte".

Para o juiz, a prisão se mostra importante "para a conveniência da instrução criminal, já que, se em liberdade, pode causar toda sorte de transtornos na apuração do fato delituoso, ante a concreta indicação da personalidade criminosa". 

Cadu foi transferido no final da tarde desta quarta-feira, 3, da Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios, na Cidade Jardim, em Goiânia, para o Complexo do Sistema Prisional, em Aparecida de Goiânia. Lá ele ficará no Núcleo de Custódia, uma área separada, utilizada para abrigar presos que precisam de maior proteção. 

Vítimas. Uma das vítimas de Cadu, um homem de 45, anos trava uma luta pela vida na UTI do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). Marcos Vinícius Lemes D´Abadia foi o agente prisional baleado durante um assalto na quinta-feira, 28, onde a Polícia Civil identificou a participação de Cadu por imagens de circuitos de segurança. O agente prisional tem uma atuação na área de direitos humanos e sua situação causou comoção entre os colegas. Ele reagiu ao assalto e acabou baleado na cabeça.

D´Abadia está em coma induzido, respirando por aparelhos, informou o diretor-geral do Hugo,  Ciro Ricardo Pires de Castro. O médico explica que a bala atravessou a cabeça do agente e causou uma extensa lesão. Ele foi operado, é submetido a tomografias diariamente, mas ainda permanece em estado grave. "Para o trauma sofrido, ele está reagindo bem, não teve edema, mas esta evolução é imprevisível". 

O estudante Mateus Pinheiro, 21, morreu após ser baleado em um assalto no domingo que provavelmente também  teve a participação de Cadu. O delegado que acompanha o caso, Thiago Damaceno Ribeiro, adjunto da DIH, informou que imagens da rua onde Mateus foi assaltado, mostram o Honda City que estava com um comparsa de Cadu quando ele foi preso na segunda-feira. "Além disto, testemunhas reconheceram Carlos Eduardo como um dos assaltantes", citou. O Honda City também estava no assalto a Marcos.

Exames de balística vão comprovar se os projéteis que atingiram as duas vítimas partiram do revólver cromado apreendido com Cadu no dia em que foi preso. Segundo o delegado, enquanto esteve na DIH, o rapaz tomava os remédios que familiares levaram. A família evita falar sobre a situação de Cadu. A reportagem não conseguiu localizar o advogado contratado para acompanhar os interrogatórios do rapaz.

Internação. Nesta quarta-feira, em entrevista à TV Anhanguera, o diretor da clínica de Repouso de Goiânia, Maurício Frota, afirmou que a instituição recusou Cadu em 2012, depois que descobriu os antecedentes dele, "que não tinham sido informados na hora da internação". Segundo ele, no histórico do paciente não constava que ele tinha praticado um duplo homicídio, muito menos que as vítimas eram o cartunista Glauco Villas-Boas e o filho dele, Raoni, em 2010. Já a representante da Secretaria Estadual de Saúde, Mabel Del Socorro Cala, negou que tenha havido falha no acompanhamento ao rapaz e sustentou que ele poderia ser tratado em qualquer clínica psiquiátrica, mas admitiu que precisa apurar se realmente o histórico com os antecedentes não foi repassado à clínica.

Na terça-feira, ao ser apresentado na DIH, Cadu se manteve em silêncio e de cabeça baixa, o tempo todo ao lado do comparsa,  Ricardo Pimenta Andrade, 33. Durante a apresentação, o delegado Thiago Damaceno defendeu que o rapaz "não pode ficar nas ruas, porque oferece perigo à sociedade". Também descreveu Cadu como uma pessoa dissimulada.