Justiça decreta nova prisão preventiva de Nenê Constantino

Fundador da Gol é acusado de mandar matar líder comunitário e atentar contra a vida de seu genro

Vannildo Mendes, O Estado de S. Paulo

01 Março 2011 | 22h21

BRASÍLIA - Acusado de obstrução da justiça e de mandar matar uma testemunha chave do processo em que é acusado do assassinato do líder comunitário Marcio Leonardo Brito, o empresário Nenê Constantino, fundador da Gol Linhas Aéreas, teve a prisão preventiva decretada hoje pelo juiz João Marcos Guimarães, do Tribunal do Júri de Taguatinga.

 

A prisão, a terceira decretada contra Nenê em menos de um ano, é do tipo domiciliar, a ser cumprida na residência do empresário em Brasília, devido à sua idade avançada (79 anos) e aos problemas de saúde que enfrenta.

 

Acusado também da tentativa de assassinato do ex-genro, Eduardo Queiroz, o empresário tinha depoimento marcado para ontem, em Taguatinga, mas não compareceu alegando problemas de saúde. Outras sete testemunhas do assassinato do líder comunitário também foram convocadas, entre as quais o pistoleiro João Marques dos Santos, ex-empregado de Nenê, que confessou ter participado de oito homicídios a mando do empresário. Entre esses crimes estaria o de Brito, abatido a tiros em 2001, quando liderava um grupo de invasores do terreno onde fica a garagem da empresa de ônibus de Nenê, em Taguatinga.

 

Depois de ter confessado participação nos crimes, o pistoleiro informou ao promotor Bernardo Urbano que passou a ser pressionado a mudar o depoimento por emissários de Nenê. Na semana passada, ele foi alvejado por três tiros - dois na barriga e um na perna, na porta de sua casa, em Águas Lindas, periferia do Distrito Federal. Foi a gota d'água para a decretação da nova prisão do empresário, que mora em São Paulo, mas deve ficar à disposição da justiça em Brasília até o julgamento dos crimes em que é acusado.

 

 

A Gol, da qual Nenê está afastado desde 2001, não quis se manifestar alegando se tratar de assunto pessoal. O advogado da empresário, Alberto Toron, alegou que seu cliente não tem nada a ver com o atentado de Santos e que a prisão é irregular.

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