Justiça decreta prisão de policiais que teriam atirado em juiz no Rio

Agentes foram indiciados por tentativa homicídio por dispararem contra carro que magistrado estava com os filhos

Solange Spigliatti, Central de Notícias

08 Outubro 2010 | 17h56

SÃO PAULO - O Tribunal de Justiça do Rio decretou nesta sexta-feira, 8, a prisão temporária dos policiais civis suspeitos de terem atirado no carro de juiz trabalhista Marcelo Alexandrino da Costa Santos, na madrugada do último sábado, 2, na Estrada do Pau Ferro, no Rio. O decreto que determina a prisão de Bruno Rocha Andrade e Bruno Souza da Cruz foi assinado pelo juiz Fábio Uchôa, em exercício no 4º Tribunal do Júri.

 

Na companhia de familiares, Santos trafegava em seu Kia Cerato, próximo a autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, quando foi baleado. A parentes e médicos, o juiz teria dito que pensou estar diante de uma falsa blitz realizada por marginais. Também ficaram feridos seu filho de 8 anos e a de 11.

 

Para o juiz Fábio Uchôa, os policiais têm instinto homicida e envergonham a Polícia Civil do Estado. "Observa-se que o crime foi praticado com extrema brutalidade, onde os indiciados, com verdadeiro instinto homicida e investidos da Autoridade do Estado, envergonhando a instituição".

 

Ainda segundo o juiz, os policiais "efetuaram diversos tiros de fuzil contra as vítimas indefesas e seus familiares, que se encontravam fugindo de uma suposta falsa blitz realizada por marginais, sem apresentar a menor chance de defesa às vítimas, que estavam de costas, nos interiores de seus respectivos automóveis, fugindo de seus algozes, sem poderem imaginar que os autores daquela brutalidade fossem justamente os representantes do Poder Público, que deveriam estar ali para zelar, proteger e dar segurança a elas", afirmou o magistrado.

 

Análise. Os dois policiais foram indiciados na quarta-feira, após o resultado da perícia feita pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) confirmar que as balas que atingiram o juiz trabalhista e as crianças saíram de um dos fuzis da Polícia Civil. A primeira versão dos agentes era de que os disparos teriam partido de criminosos que fugiam da blitz.

 

Num comunicado, Santos confirmou que os tiros vieram dos policiais e disse que não há "nada há de mais aterrador do que a imagem de um agente público, que de nós deveria cuidar, disparando arma de fogo, com a intenção de matar, contra um casal de bem e suas crianças inocentes apenas para satisfazer seu desejo de exibir um poder que, fora dos limites legais, simplesmente não existe". Ele foi atingido no tórax.

 

Atualizado às 18h19 para acréscimo de informações

Mais conteúdo sobre:
Rio violência juiz polícia civil policiais

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.