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Justiça francesa encerra investigação sobre voo AF-447

Andrei Netto - Correspondente

02 Julho 2014 | 17h 48

Air France e Airbus devem ser levadas a julgamento por homicídio no acidente que causou a morte de 228 passageiros e tripulantes 

PARIS - A Justiça da França informou nesta quarta-feira, 2, a familiares de vítimas do voo AF-447, entre Rio de Janeiro e Paris, que encerrou a etapa de investigação sobre as causas do acidente. Segundo os juízes de instrução do caso, Air France e Airbus serão levados a julgamento pelo Tribunal Correcional de Paris por homicídio involuntário pelo acidente ocorrido no Atlântico em 31 de maio de 2009 que deixou 228 mortos. 

A reunião aconteceu na sede do Palácio de Justiça de Paris. Para que a decisão de enviar as duas companhias a julgamento seja concretizada, basta apenas que seja realizada a análise dos recursos impetrados em 14 de maio pela Air France e pelo Sindicato Nacional dos Pilotos de Linha (SNPL), que reclamam do relatório final da contra-investigação realizada pela Justiça a pedido da Airbus. O documento indica a responsabilidade dos pilotos após uma série de falhas técnicas decorrentes do congelamento das sondas de velocidade - os "tubos de pitot", que orientam os comandos eletrônicos de um Airbus A330.

Divulgação
Destroços do avião que desapareceu na costa nordestina do Brasil

Antes da reunião com os juízes, a presidente da associação de familiares de vítimas Ajuda Mútua e Solidariedade AF447, Danièle Lamy, pediu mais uma vez que nenhuma das duas empresas seja liberada de julgamento, por temer que a Airbus pudesse não ter seu indiciamento confirmado. "É preciso que a Airbus esteja no tribunal. Se eles se beneficiarem de uma anulação do processo, seria algo extremamente grave", afirmou.

Para o advogado Yassine Bouzrou, que representa um grupo de familiares, a Justiça da França reuniu indícios sobre a responsabilidade pelo acidente. "Creio que há elementos suficientes hoje para que Airbus e Air France sejam condenadas por homicídio involuntário", afirmou.

Em nota oficial, a Air France reagiu às informações afirmando que não teve acesso às acusações. A companhia lembrou que a lei oferece três meses a mais às partes para solicitar mais uma vez a suspensão do indiciamento após o final da investigação, e que a Justiça ainda não se pronunciou sobre o primeiro pedido, feito em maio. A Airbus ainda não se pronunciou sobre a decisão Judicial.