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Justiça manda soltar PMs que arrastaram mulher no Rio

Marcelo Gomes - O Estado de S. Paulo

20 Março 2014 | 18h 03

Para a juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros, não é possível concluir que os policiais militares soubessem que Claudia estava sendo arrastada pelas ruas

RIO - A Justiça Militar do Rio concedeu nesta quinta-feira, 20, liberdade provisória aos três policiais militares que estavam na viatura que arrastou por cerca de 350 metros de asfalto a servente Claudia Silva Ferreira, na manhã deste domingo, 16. A decisão atende a parecer do Ministério Público Militar.

Em sua decisão, a juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros afirmou que não é possível concluir que os policiais militares soubessem que Claudia estava sendo arrastada pelas ruas após a abertura da tampa do porta-malas da viatura. E que a manutenção da prisão cautelar dos policiais "afigura-se mero adiantamento da pena a ser eventualmente imposta".

A vítima havia sido baleada durante uma operação policial na manhã de domingo no Morro da Congonha, em Madureira, zona norte do Rio, e, segundo os policiais, foi colocada na Blazer da PM para ser levada ao hospital. Os três PMs foram presos em flagrante horas depois, por ordem do comando do 9.º Batalhão, que os enquadrou no crime de "inobservância de lei, regulamento ou instrução", previsto no artigo 324 do Código Penal Militar. A pena máxima prevista é de um ano de detenção.

"Por mais fortes, chocantes e até mesmo revoltantes que sejam as imagens da senhora Cláudia já baleada, sendo arrastada no asfalto, presa ao reboque da viatura, (...) não é possível inferir que os policiais militares presentes na viatura conheciam tal circunstância e a ignoraram. Ao contrário, o que mostram as imagens é que a viatura parou e dois policiais desceram para a colocarem de volta no interior da viatura", escreveu a juíza. Ana Paula afirma que o compartimento de presos da viatura "não é o local correto para o transporte de uma vítima de projétil de arma de fogo em estado grave", mas diz que as circunstâncias serão melhores avaliadas pelo Conselho Permanente de Justiça, caso haja denúncia.

Segundo a juíza, lendo o Auto de Prisão em Flagrante não é possível "verificar de onde partiram os disparos (...) que atingiram a nacional Cláudia, constando que os indiciados não estavam presentes no local e foram acionados via rádio para lá comparecer, pois a mesma havia sido encontrada alvejada no chão por projéteis de arma de fogo".

A magistrada também destacou que a perícia constatou que a causa da morte foi o tiro de fuzil que atingiu o coração e um pulmão da vítima, e não "as lesões em decorrência do arrastamento de parte de seu corpo no asfalto daquela avenida".

Outra versão. Familiares de Claudia e vizinhos afirmam que a servente não foi baleada durante troca de tiros entre policiais e criminosos. Também dizem que alertaram os policiais de que a viatura partia com o porta-mala aberto. A polícia desmente as duas informações.

Os PMs estão presos no presídio Bangu 8, na zona oeste da cidade. Ainda não se sabe quando serão colocados em liberdade.

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