Kassab deixa DEM, leva Afif e cria PSD na segunda

Prefeito também conquista filiação do ex-governador Cláudio Lembo ao partido que será lançado segunda-feira na Assembleia?Legislativa de SP

Julia Duailibi, André Mascarenhas e Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

19 Março 2011 | 00h00

Depois de cinco meses de articulações, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, anunciou ontem o desligamento do DEM e a criação de um novo partido, batizado de PSD (Partido Social Democrático), com o objetivo de se cacifar politicamente para disputar a eleição estadual de 2014.

O anúncio despertou certa desconfiança no Palácio dos Bandeirantes, que travou uma queda de braço tácita com o prefeito nos últimos dias para evitar que Kassab engordasse a nova legenda com aliados do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

O lançamento oficial do novo partido será na Assembleia Legislativa paulista, na segunda-feira, às 12:30. Na ocasião, será feita a leitura de manifesto de fundação da sigla. O vice-governador Guilherme Afif Domingos e o secretário de Negócios Jurídicos da Prefeitura paulistana, Cláudio Lembo, saem do DEM para acompanhar Kassab.

Embora o prefeito e Afif defendam a manutenção da aliança com o PSDB no novo partido, aliados de Alckmin veem na mudança articulação de Kassab para entrar na base aliada da presidente Dilma Rousseff. Alguns defendem que a secretaria de Desenvolvimento Econômico, de Afif, seja mantida com o DEM - e, portanto, retirada do vice.

Ontem, os articuladores políticos de Alckmin estavam de olho nos vereadores tucanos. Estava previsto um jantar deles com Kassab. Deram sinais de que podem sair do PSDB para acompanhar o prefeito os vereadores Ricardo Teixeira, Juscelino Gadelha, Gilberto Natalini, Claudinho de Souza e Adolfo Quintas.

Desses cinco nomes, a saída de Teixeira é dada como certa.

O desafio de Kassab nesta reta final é vencer a resistência de aliados e angariar quadros para a nova legenda. Ontem ele telefonou para vários parlamentares e prefeitos. Amanhã embarca para Salvador, onde se encontra com potenciais integrantes do PSD.

Nas contas do seu grupo, migram para a nova legenda nas próximas três semanas cerca de dez deputados federais por São Paulo. Também são esperados os prefeitos de Itu, Herculano Passos Júnior (PV), de Mogi das Cruzes, Marco Bertaiolli (DEM), e de Ribeirão Preto, Dárcy Vera (DEM) - apesar de contarem com a vinda da prefeita, ela tem resistido. O deputado Eli Corrêa Filho (DEM), por exemplo, disse ainda estar indeciso e que o prefeito sugeriu que ele pensasse no fim de semana.

Nos últimos cinco meses, Kassab manteve conversas com o PMDB e o PSB. Decidiu criar a nova legenda como uma manobra para sair do DEM sem ter o mandato questionado na Justiça - a lei permite mudança sem perda de mandato por infidelidade partidária desde que seja migração para uma nova legenda.

A ideia inicial era criar o partido para fundi-lo com o PMDB. Depois, veio o convite do PSB. O receio de como a Justiça interpretaria a articulação esfriou a negociação. A discussão foi empurrada para depois de 2012.

Kassab entrou no PFL em 05. Em 2007, a sigla virou o DEM. Antes disso, ele foi do PL.

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