Epitacio Pessoa/AE
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Kassab lança PSD ''próximo'' a Dilma, mas mantém aliança ''inquebrável'' com Serra

No lançamento do seu novo partido, o PSD (Partido Social Democrático), o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, admitiu uma aproximação com o governo federal, embora tenha destacado a manutenção de sua aliança com o PSDB.

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

22 Março 2011 | 00h00

Em um ato político para cerca de cem pessoas na Assembleia Legislativa paulista, o prefeito disse que sua "aproximação" com o governo federal é um dos motivos para deixar o DEM: "Essa aproximação sempre existiu, e essa é a razão da minha saída do DEM. Eu me sinto desconfortável num partido que quer votar sempre contra porque é contra".

O prefeito, no entanto, classificou o PSD como "independente" e disse que não pretende deixar a oposição: "Estaremos do lado do governo federal nos projetos que forem os melhores para o País. E contra os que não acreditamos que sejam os melhores".

Elogiou, então, a presidente Dilma Rousseff e voltou a dizer que "torce" para que ela faça um bom governo, embora tenha destacado que ajuda não significa "alinhamento" nem "adesão". Sobre o candidato derrotado à Presidência, o tucano José Serra, Kassab enfatizou que com ele mantém "relações inquebráveis". Enfatizou que permanece aliado do tucano seja qual for seu projeto político. "Onde ele (Serra) estiver, estarei ao seu lado", afirmou.

"Eu votei no candidato Serra. E me orgulho muito. Mas hoje o Brasil tem um novo presidente. Seja como cidadão, seja como eleitor, seja como dirigente deste novo partido, estou ao lado daqueles que torcem para o sucesso da presidente", afirmou o prefeito, que tem conversado com líderes do PT e da base aliada.

Após cinco meses de negociações, Kassab lançou o PSD acompanhado de 20 parlamentares e prefeitos que pretendem migrar para a legenda. No partido, Kassab quer viabilizar seu futuro político e disputar o governo de São Paulo em 2014.

A articulação é vista com desconfiança e desconforto pelo Palácio dos Bandeirantes por duas razões: Alckmin vê em Kassab um potencial adversário à sua reeleição e, além disso, o vice-governador, Guilherme Afif Domingos, também deixou o DEM e acompanhou o prefeito. Para o Palácio, a figura de Afif simbolizava a aliança PSDB-DEM. Nos bastidores, cogita-se tirar força política de Afif, que também ocupa a secretaria de Desenvolvimento Econômico, no governo.

Quanto a Alckmin, com quem se desgastou após a disputa pela Prefeitura em 2008, o prefeito disse que o ajudará a fazer um "grande" governo. "Fomos corresponsáveis pela sua eleição."

Além de Afif, também o secretário de Negócios Jurídicos da prefeitura, Cláudio Lembo, assinou a ficha de inscrição no PSD. Ambos deixam o DEM.

Fusão. Depois de negociar com PMDB e PSB, Kassab descartou a fusão. "Não faremos fusão. Fomos convidados por duas legendas respeitáveis e definimos nas últimas semanas que o partido caminhará com as próprias pernas nas eleições do ano que vem. Coligados ou com candidatura própria", disse o prefeito. O Estado revelou há uma semana que a fusão imediata do novo partido com o PSB havia sido descartada, e o acordo havia esfriado.

Para que o PSD tenha o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) serão necessárias cerca de 490 mil assinaturas em nove Estados.

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