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REPRODUÇÃO/PREFEITURA DE LINHARES

Lama de barragem alcança sul da Bahia

Sedimentos podem impactar a biodiversidade de fitoplâncton, algas e corais de Abrolhos; mancha foi detectada durante sobrevoos

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Luísa Martins,
O Estado de S. Paulo

07 Janeiro 2016 | 19h35

BRASÍLIA - A mancha de lama originária da tragédia de Mariana, que vinha se espalhando no litoral do Espírito Santo, sentido sul, agora se dispersou também para o norte, alcançando as proximidades do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no sul da Bahia. A Samarco, responsável pela barragem de Fundão, que se rompeu em 5 de novembro, já foi notificada a iniciar imediatamente a coleta de amostras na região. A empresa destaca que o material está diluído.

Embora de forma pouco concentrada, os sedimentos somam uma área de 6.197 km². A mancha foi detectada durante sobrevoos feitos por técnicos do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O “desvio de rota” foi possivelmente ocasionado por um intenso vento sul na última semana. A previsão de um ciclone para os próximos dias amplia a preocupação, pois não se sabe o impacto do fenômeno sobre a mancha.

Os testes para confirmar a origem do material devem ficar prontos em dez dias, mas a presidente do Ibama, Marilene Ramos, afirmou que os técnicos “têm praticamente certeza de que se trata da lama de rejeitos”. Haveria mínima chance de se tratar de material erodido.

Procurada, a Samarco informou que cedeu aeronave e imagens de satélite para análise técnica e “acredita que o material observado na região sul da Bahia é uma parte diluída da pluma (lama), misturada aos sedimentos da foz do Rio Caravela e demais sedimentos da região, que foram revolvidos em função de um fenômeno climático raro, que ocasionou fortes ressacas ao longo da costa capixaba e parte do litoral baiano”. “Cabe ressaltar que a Samarco tem realizado, semanalmente, o monitoramento das praias na região da foz do Rio Doce, não encontrando nenhum resultado de metal fora dos padrões.” 

Efeitos. Os rejeitos podem afetar a atividade de fitoplâncton, algas calcárias e corais de Abrolhos – um dos principais patrimônios ambientais do Brasil e uma das áreas de maior biodiversidade do Oceano Atlântico. “Ter essa lama no mar é como colocar uma camada de fumaça em cima da Mata Atlântica ou da Floresta Amazônica, o que taparia o sol e impediria a fotossíntese”, comparou o presidente do ICMBio, Cláudio Maretti.

O órgão informou que o parque não será interditado, mas não está afastada a possibilidade de haver extinção de espécies de corais – já vulneráveis às mudanças climáticas em geral, que têm tornado as águas mais ácidas e, consequentemente, afetado seu colorido. Maretti disse que as consequências da tragédia estão sendo quantificadas, mas “a autuação (à Samarco) virá”. Disse, ainda, que mesmo que a bacia do Rio Doce seja recuperada “não é factível” que volte a ser como antes do rompimento da barragem de Fundão – que ainda deixou 17 mortos e 2 desaparecidos. 

A presidente do Ibama criticou a conduta da empresa, julgando-a lenta e pouco proativa. Segundo ela, a mineradora recorreu das multas aplicadas (cinco de R$ 50 milhões cada) e não quis propor acordo em relação à ação civil pública, movida pela União e pelos Estados de Minas e Espírito Santo, que pedia o pagamento de R$ 20 bilhões para um fundo de recuperação da Bacia do Rio Doce. 

A Justiça já determinou, em primeira instância, o pagamento da primeira parcela, de R$ 2 bilhões. “A empresa se preocupa apenas com as questões emergenciais, mas é míope em relação ao todo. Independentemente da admissão ou não de culpa, foi a atividade dela que, voluntária ou involuntariamente, causou o maior desastre ambiental do País”, disse ela. 

Espírito Santo. Três praias de Linhares, na região norte do Espírito Santo, foram interditadas pela prefeitura da cidade, nesta quarta-feira, 6. De acordo com o órgão, as praias de Pontal do Ipiranga, Degredo e Barra Seca estão impróprias para banho. Toda região foi afetada pela lama de rejeitos da mineradora Samarco.

 

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