Lama e falta de planejamento alteram principais eventos do papa no Brasil

Lamaçal em que se transformou o Campus Fidei, onde seriam realizadas a vigília e a missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude, na zona oeste do Rio, causou a transferência dos eventos para Copacabana

Fábio Grellet e Leonardo Maia, O Estado de S. Paulo

25 Julho 2013 | 23h03

RIO - O lamaçal em que se transformou o Campus Fidei, área onde seriam realizadas a vigília e a missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude em Guaratiba, na zona oeste do Rio, levou os organizadores e a prefeitura a transferir os eventos para Copacabana, bairro da zona sul que já recebeu as primeiras cerimônias da JMJ. O Estado adiantou quarta-feira, 24, que a área já sofria com as chuvas e a programação poderia sofrer alterações.

A mudança obriga a prefeitura a reorganizar as estruturas de transporte, segurança e atendimento médico, e aumenta as dúvidas sobre a capacidade para organizar grandes eventos. Esse foi o terceiro contratempo enfrentado pela organização da Jornada desde que o papa chegou à cidade. Primeiro, houve um erro de trajeto, que deixou o pontífice preso em um congestionamento, na segunda-feira. No dia seguinte, uma pane no metrô e a superlotação do transporte público dificultaram o deslocamento dos peregrinos que foram à abertura oficial em Copacabana.

Por causa da mudança anunciada na quinta-feira, 25, foram descartadas duas etapas da programação: a peregrinação (uma caminhada de 13 km para chegar ao Campus Fidei) e a vigília que duraria a noite inteira, entre o sábado e o domingo. Agora, a programação será interrompida no sábado, após a Vigília de Oração com o papa Francisco (que começará às 19h30 de sábado), e retomada às 10h de domingo, quando o pontífice vai celebrar a missa de encerramento. Essas cerimônias ocorrerão no mesmo palco onde Francisco esteve na noite de quinta.

Embora a região de Guaratiba seja constantemente úmida e sujeita a alagamentos, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), não considerou um erro a escolha do local. "Não podemos avaliar este evento como os outros", disse. Ele também ressaltou não ter "problemas em admitir nossos erros (citando as falhas no trajeto do papa e no sistema de transporte)". E citou a imprevisibilidade do clima, dizendo que, neste período do ano, o principal problema da cidade costuma ser a seca.

Dom Paulo Cesar Costa, bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio, admitiu que a mudança na programação frustrou o papa Francisco. "É uma dor muito grande (transferir o evento de Guaratiba), por todo o trabalho que fizemos por lá", disse. Mas, ao saber dos problemas, "o papa apoiou a mudança".

Prejuízo. Dom Paulo afirmou que ainda não sabe quanto foi gasto para preparar o Campus Fidei. Guaratiba foi escolhida em 2012. Além do grande espaço livre, pesou na escolha o fato de a Igreja querer promover parte da JMJ em uma área pobre do Rio. O terreno do Campus Fidei tem 2 milhões de m² e foi cedido gratuitamente por seus donos, entre eles Jacob Barata Filho, dono de empresas de ônibus.

Em troca, os donos se beneficiaram com obras de terraplanagem e de infraestrutura feitas no entorno. Paes afirmou que o único gasto da prefeitura foi com a dragagem dos rios de Guaratiba. Os outros gastos foram do Comitê Organizador Local, disse. "Mas não vou transformar a visita do papa em um jogo de contabilidade, de ganhos econômicos."

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