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Laudo do IML aponta que mulher arrastada no Rio morreu por tiro

Marcelo Gomes - O Estado de S. Paulo

18 Março 2014 | 20h 45

Os três policiais militares presos em flagrante vão depor nesta quarta-feira

RIO - O laudo cadavérico do Instituto Médico-Legal apontou que a causa da morte de Claudia Silva Ferreira foi um tiro que atingiu o coração e o pulmão. Após a mulher ter sido baleada, os PMs a colocaram no porta-malas de uma Blazer da corporação para levá-la ao hospital. No meio do caminho, a porta da caçamba abriu. Desacordada, Claudia rolou para fora e ficou presa ao porta-malas do veículo por um pedaço de roupa. O corpo da mulher ficou batendo no asfalto e foi parcialmente dilacerado.

Os três PMs envolvidos vão depor nesta quarta-feira, 19, na 29.ª DP (Madureira). A morte de Claudia foi desmembrada do registro inicial de auto de resistência, e o caso foi reautuado como homicídio.

Os policiais foram presos em flagrante no domingo, por determinação do comando do 9.º Batalhão da PM, que os enquadrou no crime de "deixar, no exercício de função, de observar lei, dando causa direta à prática de ato prejudicial à administração militar", previsto no artigo 324 do Código Penal Militar. O comando considerou inadequada a forma como os PMs socorreram Claudia.

Após prestarem depoimento à Corregedoria da Polícia Militar na segunda-feira, os três PMs que participaram do socorro a Claudia foram encaminhados ao presídio Bangu 8, na zona oeste. Isso porque o Batalhão Especial Prisional (BEP) da PM, em Benfica, na zona norte, foi interditado pela Vara de Execuções Penais (VEP), depois que uma operação do Ministério Público encontrou uma série de "regalias" no local, como aparelhos de ar condicionado, computadores e até latas de cerveja. A inspeção foi realizada na segunda-feira de Carnaval.

Novo vídeo. Um novo vídeo publicado nesta terça-feira, 18, pelo site do jornal Extra, feita pela câmera de segurança de uma loja na Estrada Intendente Magalhães, mostra a mulher sendo arrastada pela Blazer a 350 metros de distância do local onde os PMs pararam o veículo e recolocaram Claudia na caçamba. No primeiro vídeo divulgado na segunda-feira pelo jornal, feito por um cinegrafista amador, o trecho em que a vítima ficou pendurada do lado de fora era de cerca de 250 metros.

O advogado Marcos Espínola, que defende o sargento Alex Sandro da Silva Alves, ajuizou nesta terça, 18, pedido de liberdade provisória para seu cliente. "A pena prevista no crime militar pelo qual os policiais são acusados vai de 3 meses a 1 ano de detenção. Ou seja, mesmo que ele seja condenado, não ficará preso. Por isso não há motivo para mantê-los presos preventivamente."