Longe das polêmicas, Dilma recebe Cristina

Presidentes reúnem-se hoje em Brasília; petista deixa as questões difíceis, como as disputas comerciais entre os dois países, para as equipes técnicas

Lisandra Paraguassu, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2011 | 00h00

A presidente Dilma Rousseff recebe hoje sua colega da Argentina, Cristina Kirchner, em meio a mais uma rodada de disputas comerciais entre os dois países, principais parceiros na região. Os temas espinhosos, no entanto, devem ficar apenas na periferia da conversa entre as duas presidentes. No segundo encontro entre Dilma e Cristina, a intenção é tentar passar a imagem de harmonia entre os dois países. Assuntos difíceis ficam a cargo da equipes técnicas.

"As questões comerciais encontram seus canais habituais, já consolidamos em um diálogo que mantém o ministro Fernando Pimentel (do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) com a ministra Débora Giorgi (da Indústria Argentina). Agora, recentemente, na cúpula do Mercosul, houve a possibilidade de se examinar a situação", disse o ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, ao ser questionado sobre os problemas comerciais entre os dois países.

A intenção de brasileiros e argentinos é dar seguimento aos protocolos de cooperação bilateral entre os dois países e que já foram tema da viagem da presidente Dilma a Argentina em janeiro deste ano. Entre eles, um acordo para construção de dois reatores nucleares para pesquisa, usando tecnologia argentina, mas com os custos divididos. Também deve ser avaliado o estágio de desenvolvimento de um satélite que está sendo projetado pelos dois países.

"É uma excelente oportunidade de fazermos uma avaliação desses primeiros meses desde que a presidente Dilma esteve em Buenos Aires. A agenda deve ser parecida com a anterior, com a avaliação dos passos que estão sendo tomados na cooperação bilateral em áreas como espacial, nuclear, financeira, e da ação dentro do G20", explicou Patriota.

O ministro não nega que os temas comerciais possam entrar na pauta, mas diz que não é possível saber o que será dito entre as duas presidentes.

Pouco se deve esperar, no entanto, em termos de uma solução mais avançada ou um resultado concreto para as barreiras comerciais que foram levantadas pela Argentina a produtos brasileiros, com a retirada de licenças automáticas de importação. Nem para a retaliação brasileira, que levou a revisão das mesmas licenças para carros e autopeças e criou uma fila de veículos à espera de permissão para passar na fronteira entre os dois países.

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