Lula diz que é preciso 'repensar' Defesa e promete recursos

'Não é segredo que temos uma crise no setor aéreo', diz presidente em posse do novo ministro

25 Julho 2007 | 19h18

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que é preciso repensar o Ministério da Defesa porque "do jeito que está funcionando, está aquém do que é necessário". E avisou que o governo não medirá esforços para liberar recursos para a área: "Não precisamos de guerra para resolver as coisas". As declarações foram feitas em discurso durante cerimônia de posse do novo ministro Nelson Jobim, que assumirá a pasta no lugar de Waldir Pires.   Veja também:   Ouça discurso de Lula na posse de Jobim   Para o presidente, Jobim terá mais sorte que Waldir Pires porque ele irá brigar para que os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e o do Planejamento, Paulo Bernardo, sejam mais flexíveis na liberação do dinheiro. "E não é por causa do acidente. É porque, nesta crise, descobrimos as falhas que temos e precisamos resolvê-las. Agora, é fazer o que precisamos fazer, com a força que temos e gastando o que for preciso para dar tranqüilidade à sociedade", concluiu o presidente.   Lula admitiu, pela segunda vez desde o início da crise aérea, ter medo de avião porque fica na "mão de intempéries que não consegue controlar" e entrega sua sorte a Deus. "Toda vez que o avião fecha a porta, eu entrego a minha sorte a Deus", afirmou Lula. "Eu estou na mão de um comandante que é um ser humano, de uma máquina ultra-moderna, mas que é uma máquina, na mão de um controlador que diz quando eu devo parar ou não, e estou na mão das intempéries que nem sempre o ser humano consegue controlar".   O presidente disse ainda que se pudesse interferir este seria o último acidente. "Se eu pudesse pedir a Deus, esse seria o ultimo acidente que acontecia no planeta", confessou. Segundo presidente, não se pode transformar tragédias em disputas menores: "Condenar antes de saber o que aconteceu. Isso faz parte da cultura brasileira, ou seja, primeiro condena-se, depois analisa e julga".   Pires deixa o cargo extremamente desgastado oito dias depois do pior acidente da aviação brasileira, com o vôo 3054 da TAM, que causou cerca de 200 mortes, agravando uma crise no tráfego aéreo iniciada com o desastre da Gol, em setembro do ano passado. Segundo Lula, foi o ministro quem pediu afastamento do cargo.    Congonhas   Lula pediu ao novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que visite o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e o IML, onde está sendo feita a identificação, por meio de DNA, das vítimas do acidente do Airbus. Lula também pediu a Jobim que assuma o compromisso de resolver a crise aérea, mas afirmou que não há resposta de curtíssimo prazo.   Ele disse que o acontecimento de novos acidentes não depende do governo, mas que, no que depender da estrutura aeroportuária, o País irá viver "tempos de tranqüilidade". O presidente afirmou que trocar ministro é a mesma coisa que um pai se despedir de um filho que está indo viajar e, ao mesmo tempo, receber, na porta, um outro filho, que está chegando de viagem.   Lula disse que não cabe ao governo culpar ninguém antecipadamente: "Ao governo cabe a responsabilidade de dizer aquilo que é verdade, só a verdade. Para isso, temos de fazer todo processo de apuração, desde a greve dos controladores até o acidente que culminou na morte de 200 pessoas", referindo-se à tragédia com o avião da TAM.   Momento difícil   Segundo Lula, o momento mais difícil "na vida de um presidente da República", é a troca de um "companheiro" por outro. E disse que não é "segredo que nós temos uma crise no setor aéreo", afirmou quase dez meses após o acidente com o avião da Gol, que matou 154 pessoas e é considerado o estopim da crise.   O presidente diz ter acompanhado o "esforço de cada companheiro" para tentar resolver o problema, "que possivelmente já existia e que veio à tona" depois da tragédia da Gol. Segundo ele, a seqüência de acontecimentos "deixou-nos (governo) de cabelo branco nesses meses".   Descontração   Em um momento de descontração, Lula disse que nomeou Jobim para o cargo porque ele estava "atrapalhando a esposa" em casa. "Estava na hora do Waldir Pires (ex-ministro da Defesa) descansar e de Jobim entrar na ativa", afirmou o presidente, arrancando alguns risos da platéia.   "Ele (Jobim) não dará despesa ao governo, porque já ganha o teto", brincou Lula, referindo-se ao fato de Jobim receber o maior salário do funcionalismo como ex-integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). Depois, Lula justificou a descontração: "Vivemos momento de tensão no País. E, de vez em quando, é precisos ter um momento de descontração para tornar a vida menos sofrida", disse.   A posse de Jobim é a primeira aparição de Lula em um evento público desde o dia 17, quando houve a explosão do Airbus da TAM no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando morreram cerca de 200 pessoas. Lula previu, no discurso, que Jobim terá uma árdua tarefa. E acrescentou: "Precisamos, em momentos de dor, crise ou sofrimento, sofrer menos, internamente, e tomar lições e fazer as coisas que precisam ser feitas."   (Colaboraram Leonencio Nossa, Isabel Sobral e Renata Veríssimo, da Agência Estado)

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