Lula e FHC, a 2 dias da eleição, brigam por votos em SP para Dilma e Serra

Ofensiva se deve ao fato de Estado ser maior colégio eleitoral do País, com 30,2 milhões de eleitores, e onde ex-presidente derrotou sucessor duas vezes; coordenadores das duas campanhas não escondem preocupação com abstenções amanhã por conta do feriado

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2010 | 00h00

Na reta final da campanha, os principais aliados dos candidatos à Presidência foram escalados para tentar conquistar votos entre os eleitores de São Paulo. Com a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra no Rio, dando prioridade à preparação para o último debate na TV, coube ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso saírem às ruas para um último esforço a favor de seus candidatos.

Ambos se enfrentaram nas urnas em 1994 e 1998. Nas duas ocasiões, Fernando Henrique foi eleito no primeiro turno.

A opção por São Paulo não ocorreu à toa. O Estado é o maior colégio eleitoral do País, com 30,2 milhões de eleitores. É mais que o dobro, por exemplo, do total de votos disponíveis em Minas Gerais, com 14,5 milhões.

Além disso, os coordenadores das duas campanhas não escondem sua preocupação com a possibilidade de aumento no índice de abstenções amanhã, por conta do feriado. No primeiro turno, 4,9 milhões de eleitores paulistas deixaram de votar. Isso representa praticamente 20% de toda a abstenção ocorrida no território nacional. O eleitor paulista também anulou 1 milhão de votos e produziu 856 mil votos em branco.

Para os aliados de Serra, é preciso que seja feita uma ampla mobilização para impedir o aumento da abstenção local. Isso ocorre porque apostam no prestígio do PSDB no Estado para que Serra conquiste votos suficientes para reverter a vantagem nacional de Dilma, apontada pelas pesquisas de intenção de voto.

Meta. No primeiro turno, os tucanos acham que Serra poderia ter ganho muito mais votos em São Paulo, uma vez que sua votação foi inferior à obtida pelo governador eleito Geraldo Alckmin. Enquanto Alckmin recebeu 11,5 milhões de votos, Serra não passou de 9,5 milhões. A ideia dos tucanos é capturar pelo menos esses 2 milhões de eleitores que têm afinidades com candidatos do partido e transmiti-los para a campanha de Serra.

Do lado petista, a tática é inversa. Lula reforçou sua passagem ontem pelo Estado para tentar preservar o patrimônio obtido por Dilma no primeiro turno. Na ocasião, ela recebeu 8,7 milhões de votos, cerca de 800 mil a menos que Serra. Com isso, a candidata impediu que o tucano abrisse uma boa diferença entre os paulistas, como ocorreu na disputa entre Alckmin e o petista Aloizio Mercadante. Enquanto Dilma perdeu por apenas 800 mil votos, Mercadante foi batido por 3,5 milhões de votos.

Por conta disso, Lula sabe que, se seu prestígio não for suficiente para quebrar a hegemonia tucana no Estado, serve, pelo menos, para limitar o potencial de crescimento de Serra entre os eleitores paulistas.

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