Lula se sentia em débito desde a crise do mensalão

Presidente queria compensar Jobim pelos conselhos políticos e jurídicos

Rui Nogueira, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2026 | 00h00

Apesar de ter recusado, em abril passado, outro convite para assumir a Defesa, depois dos desastres políticos protagonizados no ano passado, Nelson Jobim sempre quis voltar à Esplanada dos Ministérios. E o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre se sentiu em débito para com Jobim pelos serviços de conselheiro político e jurídico no auge da crise do mensalão. Depois de ter sido ministro da Justiça no governo Fernando Henrique e nomeado para o Supremo Tribunal Federal (STF), Jobim experimentou, a partir de março de 2006, uma sucessão de tropeços políticos. Começou a surpreender por ter deixado o STF, ao fim dos dois anos de presidência, antes de atingir a idade limite da "expulsória", aos 70 anos - podia ficar até 2016. Ao abrir mão de anos de Supremo, quando Lula e seus assessores discutiam quem seria o vice na campanha à reeleição, Jobim exibiu o tamanho das suas ambições. Ressuscitou a filiação ao PMDB, mas, em todas as suas articulações políticas, ou mediu mal os cenários ou, como diz a piada popular, "esqueceu de combinar com os russos". A vontade de ser vice de Lula terminou com José Alencar bisando o lugar. Com Lula eleito para um segundo mandato, Jobim alimentou uma profusão de sonhos políticos no Executivo. Embora tenha sido sondado para o Ministério da Justiça, e recusado, o que ele queria mesmo era ser ministro da Fazenda. Mas topava ser convidado para o Itamaraty. Com as equações políticas do presidente voltadas para o leque de aliados com mandato no Congresso, Jobim ficou de fora da Esplanada, mas tentou voltar à política partidária disputando a presidência do PMDB. Mais um passo em falso e uma queixa contra o Planalto, que teria preferido ficar com o deputado Michel Temmer (PMDB-SP). Sem horizonte partidário à vista, Jobim não resistiu e concluiu que um emprego no ministério é o melhor vôo solo para qualquer projeto político a médio prazo. Hoje não tem apoio do próprio partido, mas planeja resolver o problema do caos aéreo e transformar o que hoje parece um limão numa autêntica limonada eleitoral. Avalia que o cenário pós-segundo mandato de Lula está aberto e tudo pode acontecer. Gaúcho de Santa Maria, Jobim começou a se destacar no cenário político ao se eleger deputado federal pelo PMDB, em 1986 e 1990, e se transformar em um dos líderes dos debates travados no Congresso Constituinte.

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