Ed Ferreira/AE-20/2/2010
Ed Ferreira/AE-20/2/2010

Lula trabalha para PT evitar prévias em 2012

Ex-presidente diz que percorrerá País para garantir unidade do partido e lançamento de nomes com chance de vitória na aliança em torno de Dilma

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 Março 2011 | 00h00

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer impedir prévias no PT para a escolha dos candidatos às prefeituras, em 2012. Preocupado com a montagem dos palanques municipais, principalmente em São Paulo, Lula já começou a conversar com dirigentes de partidos aliados do Planalto e avalia que o PT só deve lançar nomes próprios onde tiver reais condições de vencer sem se indispor com parceiros federais, como o PMDB.

"Eu vou andar muito, correr o País no ano que vem", disse Lula ao Estado. "Mas é importante a gente começar a pensar logo nas alianças que queremos fazer. Ninguém pode ficar dormindo no ponto."

A intenção do ex-presidente é reeditar nas grandes cidades, onde for possível, a coligação que elegeu Dilma Rousseff ao Planalto e lançar um nome novo do PT à Prefeitura de São Paulo. Além disso, há um "cinturão vermelho" na Grande São Paulo - formado por cidades como São Bernardo do Campo, no ABC, entre outras - que merecerá atenção especial de Lula.

Toda a movimentação do ex-presidente, porém, tem sido feita de forma discreta, sempre combinada com Dilma e com a cúpula do PT. Cuidadoso, Lula evita aparecer para não passar a ideia de que está à frente de uma administração "paralela" no governo e no partido.

A disputa municipal será o principal assunto da reunião de hoje da Executiva Nacional do PT, em Brasília, mas Lula não comparecerá. Em conversas reservadas, ele tem dito que se preocupa com as brigas internas para a escolha de candidatos às prefeituras e não vê sentido nas prévias, que, no seu diagnóstico, deixam sequelas nas campanhas.

Calejado na política, Lula está de olho nas articulações do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, de malas prontas para deixar o DEM e fundar o Partido da Democracia Brasileira (PDB). O ex-presidente avalia que é preciso investigar as segundas intenções de Kassab, embora a fusão do anunciado PDB com o PSB tenha perdido força.

Petistas de São Paulo veem com desconfiança a formação do novo partido, chamado nos bastidores de "canto da sereia". Não é só: temem que Kassab, pré-candidato ao governo paulista em 2014, isole o PT no maior colégio eleitoral do País, há 16 anos sob administração do PSDB. O receio é de que Kassab atraia para seu condomínio aliados históricos do PT, como o PSB e o PCB - sem contar o PDT - e continue fazendo "serviço" para o ex-governador José Serra (PSDB).

Apostas. Na lista dos cotados na seara do PT para a sucessão de Kassab há pelo menos seis nomes: os ministros Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), Fernando Haddad (Educação) e José Eduardo Cardozo (Justiça), além da senadora Marta Suplicy - correm por fora os deputados Jilmar Tatto e Arlindo Chinaglia. Haddad e Cardozo são considerados "calouros", mas nenhum dos dois integra a corrente majoritária do PT.

Na avaliação de dirigentes petistas, a onda vermelha que foi capaz de eleger Dilma no ano passado, no rastro da popularidade de Lula, pode não ser tão forte em 2012. Depois do aperto econômico, a aposta, agora, é no impacto do Plano de Erradicação da Miséria - a ser lançado no segundo semestre - e na "mãozinha" de Lula nos palanques.

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