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Luta contra violência continua, dizem mulheres

Marina Azaredo e Mônica Reolom - O Estado de S. Paulo

04 Abril 2014 | 22h 49

Para organizadoras de campanhas, alteração de dados não pode enfraquecer movimentos

SÃO PAULO - Assim que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) corrigiu os dados da pesquisa divulgada no dia 27 de março, informando que o porcentual de brasileiros que acreditam que uma mulher que usa roupas curtas merece ser atacada é de 26%, e não de 65%, teve início uma intensa repercussão nas redes sociais e entre integrantes dos movimentos que lutam contra a violência sexual.

Informada pelo Estado de que os resultados da pesquisa haviam sido alterados, a jornalista Nana Queiroz, criadora do movimento #NãoMereçoSerEstuprada, que convocou mulheres de todo o País a postar fotos nas redes sociais com cartazes repudiando as agressões, foi surpreendida pela notícia. "Estou surpresa. Mas espero que seja verdade, que eles tenham errado, que o número seja menor. Isso me deixa feliz, não triste", afirmou Nana.

De acordo com a jornalista, a campanha continua, independentemente da mudança nos números. Para ela, "26% ainda é um número enorme, revela um machismo gigantesco". "O ideal seria que tivéssemos 0%, 3%", disse Nana.

No Facebook, o movimento Eu Não Mereço Ser Estuprada, criado por Nana, contava com 45,3 mil confirmados até as 20 horas de ontem.

A também jornalista Juliana de Faria Kenski, de 29 anos, teme que a alteração nos dados do Ipea possa enfraquecer os movimentos que combatem a violência contra a mulher. "Tenho medo de como essa correção pode ser usada para tirar a legitimidade da luta contra a violência", afirmou. Ela é criadora da campanha Chega de Fiu Fiu, contra o assédio sexual em espaços públicos. "É importante lembrar que o número ainda é alto - um quarto da população ainda está tentando legitimar algo que é crime e que deve ser encarado como tal. A violência é real", observa. Juliana promete lançar um mapa colaborativo em que as vítimas poderão denunciar onde sofreram assédio sexual nas ruas. O mapa poderá ser visto no endereço chegadefiufiu.com.br.

Continuidade. A necessidade de dar continuidade ao trabalho foi destacada também por Laryssa Sampaio, de 24 anos, integrante do Levante Popular da Juventude. "Apesar do novo resultado, o machismo continua existindo. A violência contra a mulher, tanto no âmbito sexual quanto no moral e físico, prossegue. Elas continuam sendo violentadas", afirma.

Para ela, os movimentos são importantes também porque incentivam as mulheres a denunciar. "Essa repercussão dá um estímulo e uma força para as mulheres registrarem agressões. Quando você se junta com outras mulheres, percebe que algumas coisas não acontecem só com você e se sente mais encorajada para fazer denúncias." Laryssa promoveu um protesto na terça-feira contra os assediadores do metrô.

A socióloga Bárbara Castro lembra que essa não é a primeira vez que o tema da violência contra a mulher ganha força. "É um assunto que sempre volta à pauta. Aconteceu o mesmo quando foi criada a Lei Maria da Penha, por exemplo."

"Mas é sempre importante que o tema volte, para debatermos um assunto que não estava sendo discutido. É importante destacar que, desta vez, foram iniciativas individuais, não de grupos organizados", afirma a socióloga.

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