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Madrasta dizia que Bernardo era 'semente do mal', afirma pai

Elder Ogliari - O Estado de S. Paulo

07 Maio 2014 | 17h 56

Declarações constam no depoimento que o médico Leandro Boldrini deu à polícia na prisão

Atualizada às 20h26

PORTO ALEGRE - O médico Leandro Boldrini, de 38 anos, disse que sua mulher, a enfermeira Graciele Ugulini, de 32, "odiava" o enteado, Bernardo Boldrini, de 11, encontrado morto no mês passado. Segundo depoimento do médico à polícia do Rio Grande do Sul, ela se referia a ele como "uma semente do mal", que tinha "puxado por aquela louca da mãe dele (Odilaine Uglione), que tinha se matado". A transcrição foi divulgada nesta quarta-feira, 7, pelo site do jornal Zero Hora, que teve acesso ao documento.

Bernardo era filho do primeiro casamento de Leandro, com Odilaine, que se suicidou em 2010, quando o casal estava se divorciando, conforme conclusão do inquérito policial da época. O corpo do garoto foi encontrado dentro de um saco plástico, enterrado em um matagal, no dia 14 de abril. O pai, a madrasta e uma amiga dela, a assistente social Edelvânia Wirganovicz, estão presos como suspeitos desde então.

Graciele, que viajou a Frederico Westphalen na companhia do garoto e voltou sem ele, isentou o médico de culpa e atribuiu a morte de Bernardo à ingestão "acidental" de calmantes. Edelvânia admite participação na ocultação do cadáver. Boldrini se diz inocente.

No depoimento, o médico também contou que no dia 4 de abril, data do desaparecimento de Bernardo, foi comunicado por Graciele que o garoto ia dormir na casa de um amigo. Ele disse, ainda, que o fim de semana do casal foi rotineiro, mesmo que os vários telefonemas que deu para o celular do filho não tenham sido atendidos. E que no domingo à noite, após procurar pelo menino, registrou boletim de ocorrência na delegacia de Três Passos, onde a família morava.

Nesta semana, Boldrini pediu ao seu advogado, Jáder Marques, que encaminhe ação de dissolução de união estável que mantém com Graciele. O médico também disse ao defensor que quer abrir mão dos bens de Bernardo em favor da avó materna do garoto, Jussara Uglione.