Mãe do bebê que caiu de janela de prédio deve ser indiciada

Criança, que teve queda amortecida pela fralda, passa bem e deve ter alta até o final da semana

Ângela Lacerda, de O Estado de S. Paulo,

28 Agosto 2008 | 17h42

Franciele Pinto Rebelo, de 21 anos, mãe do bebê que caiu da janela do 3º andar do prédio onde mora, no bairro de Boa Viagem, zona sul do Recife, deve ser indiciada por lesão corporal culposa (sem intenção). A informação foi dada nesta quinta-feira, 28, pelo delegado da Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente (GPCA) Carlos Onofre. Segundo ele, as primeiras investigações levam a crer que ocorreu um acidente. "Mas há fortes indícios de negligência", observou ele, ao acompanhar os peritos do Instituto de Criminalística que realizaram a perícia no local da queda, no edifício Jardim Tropical.   Veja também:  Fralda descartável salva bebê no Recife    Segundo o delegado, o sofá estava próximo da janela e a mãe deveria estar ciente do risco e do resultado que tal risco poderia produzir. "Este é um dos fundamentos do crime culposo", afirmou. Se indiciada, julgada e condenada, Franciele poderá ter uma pena de detenção de seis meses a um ano. Onofre acredita, porém, que o processo possa ser transformado em um termo circunstanciado de ocorrência (TCO) passando a ser só um registro, com pena alternativa - se houver.   Atordoado, Alexandre César Massaneiro, 23 anos, pai da criança, de um ano e meio, não soube o que dizer ao saber que sua mulher poderá ser indiciada. "Ela não teve culpa", afirmou, ao classificá-la como uma mãe dedicada e cuidadosa. Ele disse que o sofá foi colocado próximo à janela por falta de espaço, já que o apartamento é muito pequeno. Disse ainda que o filho, Cauã Felipe Massaneiro, nunca tinha subido no encosto do sofá. Neste dia ele subiu e colocou a mãozinha na cortina, que estava fechada, mas a janela estava aberta e ele caiu.   O delegado ouviu Alexandre, Franciele e uma prima do casal que está temporariamente morando com eles. Informalmente, ele ouviu o porteiro do prédio, vizinhos e testemunhas. As informações colhidas por Carlos Onofre foram de que o casal tem cuidado e zelo com os filhos - Cauã e uma menina de três anos. Em seu depoimento, Franciele disse ao delegado, que estava guardando roupas no quarto, com o filho ao lado.   A filha mais velha estava na sala assistindo a um DVD. Ela teria se descuidado, e a criança saiu sem que ela percebesse. Pouco depois ela ouviu gritos dos vizinhos afirmando que o seu filho havia caído. Primeiro foi à janela do quarto, depois à da sala. E correu para socorrer o filho, que foi acolhido primeiramente por uma vizinha do segundo andar, Solange Olindina, que estava chegando ao prédio no momento da queda.   Ao cair de uma altura de cerca de 10 metros, Cauá primeiro bateu num guarda-chuva que estava aberto sobre o ar condicionado do primeiro andar e desviou para o muro do prédio, onde a fralda descartável que usava ficou presa nos ganchos de ferro, segurando-o por instantes para depois ceder e a criança cair. Ele quebrou o fêmur e quatro costelas no lado esquerdo. Passa bem e segundo o pai, está bem, brinca e ri. Deve deixar o hospital até o final da semana.   Carlos Onofre só decidirá se vai indicar Franciele - que está ao lado do filho, no hospital, desde o dia do acidente - depois de receber o laudo da perícia. Ele tem 30 dias para concluir o inquérito. O casal é do litoral de Santa Catarina e se mudou para o Recife há quatro meses. Alexandre estava só esperando a realização da perícia - até então não podia mexer em nada no apartamento - para colocar grade e tela nas janelas. Ele repetiu que Deus salvou o filho, cujo anjo da guarda "trabalhou bastante".

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