Mãe que jogou menina em rio poluído sai do hospital em MG

Mulher tomou remédios abortivos e teve que ser internada; estado de saúde da recém-nascida piora

Eduardo Kattah, do Estadão,

02 Outubro 2007 | 14h08

A mãe que abandonou uma menina recém-nascida no ribeirão Arrudas, em Contagem, teve alta hospitalar na manhã desta terça-feira, 2. Elisabete Cordeiro dos Santos, de 25 anos, confessou ter jogado a filha recém-nascida nas águas poluídas após tomar abortivos. Ela foi presa em flagrante e autuada por tentativa de homicídio. Durante a tarde desta terça, ela deve ser apresentada pela Polícia Civil.   Piora estado de saúde de menina abandonada em rio de Minas   A menina foi resgatada com vida, ainda com o cordão umbilical e suja de placenta, por populares das águas poluídas do ribeirão, que recebe dejetos de toda a área metropolitana da capital mineira. O estado de saúde de Michelle (como foi batizada pelos médicos), s agravou durante a noite de segunda-feira, 1º, conforme boletim médico divulgado nesta manhã pela Maternidade Municipal de Contagem. De acordo com o comunicado, a criança apresentou hemorragia pulmonar e continua apresentando crises convulsivas.   A equipe médica da maternidade informou que as convulsões e a hemorragia se devem provavelmente a duas hipóteses: ao trauma devido à altura em que a criança foi atirada, e à falta de oxigênio no período imediatamente após o parto (hipóxia). A menina continua internada no Centro de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da maternidade. O boletim informa que na quarta-feira à tarde será realizado ultrassom transfontanela (da cabecinha da recém-nascida) "para confirmar se há lesão neurológica e determinar a extensão desta lesão".   Os medicamentos que a mãe tomou na tentativa de um aborto provocaram o nascimento prematuro da criança, no oitavo mês de gravidez. Conforme o delegado, Elisabete disse que ingeriu ervas conhecidas como "buchinha paulista" e "um comprimido azul", não identificado. Após o nascimento da criança, ela afirmou que colocou a menina dentro de uma sacola plástica e jogou-a pela janela no ribeirão Arrudas.   Solteira, a jovem disse também que escondeu a gravidez do pai e dos familiares. A polícia já tinha a identificação e procurava o pai da criança para que ele fosse ouvido. "Ela falou que não queria a criança e por isso tomou abortivo. Quando a criança nasceu, ela jogou pela janela", destacou o delegado. "Em momento algum ela falou em arrependimento".

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