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Maior parte dos brasileiros se incomoda em ver dois homens ou mulheres se beijando

Lígia Formenti, Marina Azeredo e Victor Vieira - O Estado de S. Paulo

27 Março 2014 | 15h 15

Pesquisa do Ipea divulgada nesta quinta-feira mostra que 59% dos entrevistados sentem desconforto ao ver a cena

Atualizada às 21h26

Apesar dos avanços no reconhecimento dos direitos homoafetivos nos últimos anos, as resistências aos gays no Brasil persiste. É o que revelam, para especialistas, os resultados da pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada nesta quinta-feira, 27. O levantamento mostrou que 59% dos entrevistados ficam desconfortáveis ao ver um beijo entre dois homens ou entre duas mulheres. Metade concorda que casais gays devem ter direitos iguais aos parceiros heterossexuais.

O levantamento identificou, no entanto, um avanço na aceitação do princípio da igualdade dos direitos. Metade dos entrevistados concorda com a afirmação de que casais de pessoas do mesmo sexo devem ter direitos de casais heterossexuais.

Pesquisadores do Ipea identificaram que os resultados não foram uniformes. Jovens, por exemplo, mostraram ser mais tolerantes em relação à homossexualidade do que os mais velhos.

Direitos. Segundo a presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB-SP, Adriana Galvão, o entendimento favorável do Judiciário em relação à união civil gay tem contribuído na aceitação sobre o assunto. Em 2011 o Supremo Tribunal Federal reconheceu que pessoas do mesmo sexo que vivem juntas têm os mesmo direitos que um casal heterossexual. "Depois as corregedorias estaduais e o Conselho Nacional de Justiça reforçaram essa interpretação", destaca.

O problema, segundo Adriana, é que boa parte da sociedade confunde as crenças e valores morais com a legitimidade de direitos. "Infelizmente, no Brasil, o casamento está muito ligado a questões religiosas. Isso faz com que a resistência aos novos formatos de família persista", avalia. "Cada um é livre para ter sua religião, mas deve respeitar o direito do outro", defende.

Na pele. Vítima do preconceito nas ruas, o recepcionista Caio Henrique Ramos, de 24 anos, relata diversas situações difíceis por ser homossexual. "Uma vez, na Consolação com a Paulista (região central de São Paulo), um skinhead falou que ia amassar a minha cara. Tive que entrar num táxi para não apanhar", lembra.

O jovem afirma ainda que andar de mãos dadas com um namorado é impossível em alguns lugares da cidade. "Na região do centro e da Paulista até dá, mas na periferia é como se fosse proibido. Todo mundo olha estranho. Como sou um pouco esquentado, evito em alguns bairros", conta Ramos.