Mais aborto, menos Erenice

É apenas por estratégia que o PT mantém o candidato do PSDB, José Serra, como mentor da "guerra santa" que tomou conta do debate entre os candidatos. Sabe o partido que a origem da discussão está no Plano Nacional dos Direitos Humanos (PNDH-3), que por defender a descriminalização do aborto gerou uma reação religiosa.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2010 | 01h00

Em manifesto de 28 de janeiro deste ano, a CNBB alertava os fiéis para a posição da Igreja "contrária à descriminalização do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e ao direito de adoção de crianças por casais homo-afetivos". O resto é conhecido: o governo fez uma lipoaspiração no PNDH 3, mas não evitou o tema na campanha.

Segundo as pesquisas, o tema afetou menos a candidatura Dilma do que as denúncias de corrupção na Casa Civil que explicam parcela dos votos que Marina Silva recebeu na reta final do primeiro turno, viabilizando o segundo.

Se de um lado o episódio impõe o presente esforço da candidata pela desconstrução da imagem de defensora do aborto, por outro serviu ao PT para tirar da pauta da campanha, nos últimos 12 dias, o caso Erenice Guerra, cuja extensão é bem maior do que o tráfico de influência familiar na Casa Civil - que ainda subtrai votos da candidata.

O PT decidiu fazer do limão uma limonada ao buscar conciliação com as instituições religiosas ao tempo em que se faz vítima de uma campanha "caluniosa e sórdida". O PSDB busca fatos novos que possam manter Dilma na defensiva.

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