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Mais de 40 blocos desfilam no Rio neste domingo

Idiana Tomazelli - O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2014 | 15h 37

Fogo e Paixão teve referência do cantor Wando, um dos ícones da música brega e padrinho do bloco

RIO - Com direito a chuva de calcinhas, o bloco Fogo e Paixão desfilou na manhã deste domingo, 23, no centro do Rio. A referência ao cantor Wando, um dos ícones da música brega e padrinho do bloco, encerrou a maratona, que contou com a presença do filho do cantor, Wandinho, e incluiu também uma homenagem a Reginaldo Rossi, morto no ano passado.

"Garçom" foi uma das músicas que mais empolgaram os foliões, que participaram da homenagem usando máscaras do cantor, distribuídas pela organização. A analista de recursos humanos Tatiana Reis segurava uma foto de Rossi. "Ele é o rei do brega", justificou.

A aposentada Elisabeth Gomes e Souza, de 67 anos, não ficou para trás e era uma das primeiras a vibrar com as músicas. Ela assistia à filha, que faz parte da bateria do bloco, e segurava a rosa (de plástico) que recebeu de "discípulos" de Sidney Magal, quando a banda tocou "Meu sangue ferve por você".

No meio do brega, a funkeira Valesca Popozuda não foi esquecida, com a música "Beijinho no Ombro". Mas o ápice veio nas primeiras batucadas da versão em samba de "Fogo e Paixão", quando uma bazuca lançou calcinhas de diversas cores, estampas e modelos. A psicóloga Renata Castelo, de 33 anos, fez questão de pegar a sua. "É um dos blocos mais animados", disse.

O brega também era homenageado em fantasias. A estudante de Letras Ana Beatriz Quiroga, de 21 anos, foi vestida de Chacrinha para curtir a festa. Já a publicitária Isabela Saboia, de 31 anos, foi vestida de $urreal, em referência à "nova moeda" criada por cariocas para fazer frente aos preços abusivos praticados na cidade. "Trouxe meu isoporzinho", fez questão de mostrar.

'Caldeirão'. O Bloco da Preta começou na temperatura máxima. Além do calor do Rio, a aglomeração de pessoas na tarde deste domingo, 23, transformou a Avenida Rio Branco, no centro do Rio, em um caldeirão. A disputa é por conseguir um lugar mais próximo possível ao trio elétrico de Preta Gil.

Alair Martins, de 52 anos, está entre os vários que fazem a segurança do cordão de isolamento - o que implica alguns empurrões de vez em quando, para impedir que o caminho do trio fique cada vez mais estreito. “Tá difícil, mas a gente consegue, é assim mesmo”, disse.

A analista de sistemas Poliana Dourado, de 28 anos, chegou bem antes das 15h, hora em que o Bloco da Preta começou a festa. Tudo para garantir um lugar privilegiado, junto ao cordão de isolamento e bem próximo ao trio elétrico. “Aqui é apertado, mas é muito divertido”, garantiu Poliana, que participa pelo segundo ano seguido do bloco.

O Bloco da Preta ainda tem como convidados Carolina Dieckmann, Sheron Menezes, David Brazil e Tiago Abravanel. O cantor baiano Netinho subiu em um trio elétrico pela primeira vez desde que se recuperou de um câncer no fígado. “Foi como se fosse a primeira vez. Tremi demais”, confessou ao Estado. Netinho cantou duas músicas ao lado de Preta, uma delas o sucesso Mila, com ajuda do coro que lota a avenida.

Em um mix de músicas próprias e hits do sertanejo e do brega, Preta continua animando os foliões, mas também passou sermão. Ao assistir à segunda briga no bloco, ela parou de cantar e avisou que tudo estava sendo filmado. “Se eu vir mais uma briga, eu não vou sair com o bloco. Vocês vão tudo pra casa. Aliás, cadê a polícia?”, questionou. Até o momento, diversos focos de confusão já provocaram correria, mas a festa predomina.

Blocos. Neste domingo, mais de 40 blocos desfilam no Rio. Alguns dos mais famosos, como o Suvaco de Cristo, no Jardim Botânico, e o Timoneiros da Viola, em Madureira (com a presença do sambista Paulinho da Viola), já animaram os foliões na cidade. Às 15h, o Bloco da Preta prometia reunir mais de 300 mil pessoas na Avenida Rio Branco, no centro do Rio.