Mais indícios de achaque a Abadía

Depoimento reforça tese de que traficante pagou US$ 1 mi a policiais

Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

03 Outubro 2007 | 00h00

Novos depoimentos dos comparsas do megatraficante Juan Carlos Ramírez Abadía reforçaram as suspeitas de achaque de policiais que integravam o Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), unidade da Polícia Civil de São Paulo especializada na investigação do narcotráfico. Uma das acusações aponta a exigência de US$ 1 milhão para os policiais soltarem a mulher de Abadía em São Paulo. Segundo os depoimentos, ela teria sido levada ao Denarc para "averiguações" e liberada após o acerto do montante. Denunciada por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, ela é apontada como o elo de Abadía no Brasil - morou na Colômbia e firmou amizade com ele lá. Um dos policiais investigados é o delegado Pedro Pórrio. "É uma acusação que não procede. Se alguém (policial) fez isso, não fui eu. Às vezes, as pessoas fazem as coisas e jogam no colo de outra", defendeu-se. "Eu nunca investiguei esse homem (Abadía), porque meu desejo era poder pegá-lo", concluiu Pórrio, hoje na 5ª Delegacia Seccional, na zona leste. A Secretaria da Segurança Pública confirmou que há um inquérito na Corregedoria da Polícia Civil que apura as acusações e informou que na segunda-feira o delegado-corregedor Fernando Costa Azevedo viaja para Campo Grande colher depoimento de Abadía. Na terça-feira, faz oitivas com integrantes do esquema presos em São Paulo. O Ministério Público Estadual, que investiga os policiais, recebeu cópias do processo e foram autorizados a acompanhar o depoimento do megatraficante hoje na 6ª Vara Criminal Federal, na região da Paulista. EXTRADIÇÃO O brasileiro Claudio Quiñónez, piloto de um dos traficantes mais procurados no Brasil e no Paraguai, foi extraditado ontem para o Brasil, onde é processado por tráfico de cocaína. Quiñónez, detido em setembro de 2006 em Pedro Juan Caballero, a 540 quilômetros de Assunção, na fronteira com o Brasil, tem uma ordem de prisão brasileira e foi levado em um vôo regular por agentes brasileiros. O piloto é acusado de ter transportado cargas de cocaína da organização controlada por Jarvis Chimenes, conhecido como Pavão, um dos traficantes mais procurados na fronteira paraguaio-brasileira. COM EFE

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