Mangueira quer repetir ''Enredo'' de 1997

Atletas da comunidade que participaram da visita de Bill Clinton esperam encontrar Obama

Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S.Paulo

17 Março 2011 | 00h00

Quase 14 anos depois de o ex-presidente americano Bill Clinton visitar a Vila Olímpica da Mangueira, os atletas da comunidade estão agora na expectativa de encontrar Barack Obama. A coordenação da Vila Olímpica espera o sinal verde do governo do Estado para levar uma comitiva de 30 jovens para assistir ao discurso de Obama na Cinelândia, na tarde de domingo.

"Seria maravilhoso apertar a mão de dois presidentes, primeiro o Clinton, depois o Obama", comentou ontem Iracema Rosa Gonzaga, que tinha 20 anos quando integrou o grupo de atletas que recepcionou Clinton na Mangueira. No mesmo espaço onde o ex-presidente bateu bola com garotos da favela, depois de discursar para os moradores, Iracema lembrou detalhes da visita.

"Quando fui escolhida para ficar perto do Clinton, fiquei eufórica. Tinha um aparato enorme de segurança, detector de metais. A gente não estava acostumado a ver aquilo. Quase desmaiei quando ele apertou minha mão. Ele foi supersimpático. Até hoje guardo de lembrança o macaquinho verde e rosa que usei naquele dia", conta Iracema, moradora de Niterói que fez carreira na Vila Olímpica, primeiro como corredora de fundo e, depois de se formar em educação física, como treinadora.

Iracema lembrou como os jovens vibraram quando Clinton, ao lado do ex-jogador Pelé, então ministro do Esporte, bateu bola, cobrou um pênalti e, claro, fez o gol. Na inesquecível definição de Jamelão, intérprete mangueirense que morreu em 2008, Clinton deixou a favela "feliz como pinto no lixo".

Muitos jovens que receberam Clinton na Vila Olímpica se tornaram atletas profissionais. Até hoje moradora da Mangueira, Aline Campeiro deu ao Brasil a primeira medalha no levantamento de peso, em 2010, nos Jogos Sul-Americanos de Medellín. O ex-competidor e hoje professor de salto triplo e à distância, Jomar Lino Dias, lembra o esquema de proteção ao presidente americano. "Havia seguranças armados no alto dos prédios, a 200 metros de distância. Pensei que o Clinton fosse ficar distante de todo mundo. Mas ele não tinha nada de antipático, cumprimentou, brincou com a gente", lembra Jomar, que na época tinha 17 anos.

Assim como fez Clinton em outubro de 1997, no próximo domingo Obama também vai a uma favela, mas o local escolhido foi a Cidade de Deus, na zona oeste. Clinton ficou apenas algumas horas na cidade e optou por um voo de helicóptero pelos principais pontos turísticos. Obama tem programada uma visita ao Cristo Redentor e dormirá duas noites na cidade.

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