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Manifestação contra a Copa termina em confronto próximo ao Mané Garrincha

Jorge Macedo - O Estado de S. Paulo

27 Maio 2014 | 17h 47

Um policial foi atingido por uma flecha na perna; duas pessoas foram detidas

Atualizada às 21h32

BRASÍLIA - A 16 dias da Copa do Mundo, uma manifestação nesta terça-feira, 27, em Brasília contra os jogos reuniu cerca de 2,5 mil pessoas, parou o trânsito na capital federal e resultou em confronto direto de índios e sem-teto contra policiais, com direito a bombas de gás lacrimogêneo e uma flechada que atingiu a perna de um policial.

Perto dali - antes do protesto -, a presidente Dilma Rousseff aproveitou a reunião com empresários de 35 setores, no Palácio do Planalto, para afirmar que "não vai acontecer na Copa do Mundo o que aconteceu na Copa das Confederações". "Não vai ter baderna", garantiu.

"É a imagem do Brasil que estará em jogo", ressaltou Dilma, avisando ainda que "vai chamar o Exército", imediatamente, quando os governadores pedirem. "Estamos tomando todas as providências. Não vamos ter problemas de segurança", declarou a presidente, reiterando que "não admitirá baderna".

Embora a presidente tenha garantido que as pessoas não enfrentarão transtornos na Copa, por causa de manifestações, pelo menos três empresários tiveram dificuldade para deixar o Planalto justamente por causa da manifestação que tomava conta do Eixo Monumental.

Organizado pelo Comitê Popular da Copa DF, Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e Juntos, o ato começou de forma pacífica na rodoviária da cidade, com pautas que envolviam temas como moradia, justiça, saúde, educação e transporte. Na sequência, o grupo marchou pela capital.

No Eixo Monumental, os líderes do movimento improvisaram um tribunal, no qual a Fifa foi julgada e condenada por supostos "crimes" cometidos no Brasil. Durante o ato, um grupo de indígenas que estava na Esplanada dos Ministérios se juntou ao movimento e endossou o coro das palavras de ordem entoadas contra o Mundial.

Ao som de "O dinheiro da Copa não é para mim, eu vou para a rua, sim" e "Copa sem povo, estou na rua de novo", o grupo seguiu a pé rumo ao Estádio Mané Garrincha, por volta das 17h, quando ali estava exposta a taça da Copa do Mundo.

Por causa do grande fluxo de pessoas, a Polícia Militar do DF fechou todas as seis faixas da via N1, que dá acesso ao estádio e ao Palácio do Buriti. O trânsito ficou parado por uma hora.

Flechada e bombas. A polícia militar acompanhou os manifestantes durante todo o caminho. Cerca de 100 metros antes da entrada do estádio, 15 homens da Cavalaria da Tropa de Choque fizeram um cordão de isolamento para impedir a chegada do grupo ao local. À frente dos protestos, os indígenas não se intimidaram e partiram para cima dos policiais com pedaços de pau e flechas. Um cabo da PM foi atingido por uma flechada na perna, Houve pronta reação com bombas de gás.

Acuados, os ativistas se dispersaram pelo gramado que dá acesso ao estacionamento do estádio. Preocupados com a segurança da taça, os organizadores do tour optaram por retirar o troféu do Mané Garrincha e cancelar as visitas agendadas para o restante do dia.

Irritados pela ação policial, alguns manifestantes esconderam os rostos com camisas e passaram a atirar pedras contra os policiais do Batalhão de Choque, que respondeu com mais bombas de gás e efeito moral. De acordo com o coronel Jailson Ferreira Braz, responsável pela operação no local, os policiais reagiram após terem sido agredidos. "Fizemos o necessário para garantir o restabelecimento da ordem."

O índio Lindomar Terena questiona a versão. "Só queríamos chegar perto da taça e fazer um ato simbólico com nossos rituais. Isso (o revide pela ação contra o policial) é uma justificativa que encontraram para legitimar o uso da força e da brutalidade." Novo protesto contra a Copa está marcado para sexta.

Política. Segundo empresários ouvidos pelo Estado que estavam na reunião, Dilma fez questão de não misturar Copa com política e repudiou as críticas que o governo está recebendo de candidatos ao Planalto, sem citá-los. "Não se pode usar a Copa para fazer política", desabafou a presidente, sugerindo que não ia admitir que fossem criticar a sua administração por problemas no Mundial.

Ela evitou comentar a possibilidade de problemas de funcionamento de celulares, de transmissão de dados, ou uso de internet, conforme reconheceu o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. "Na Inglaterra (Olimpíada), os celulares não funcionaram, houve problema na internet e peguei um engarrafamento de uma hora e meia". afirmou.

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