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Manifestante preso deve colaborar com retrato falado

Mariana Durão - O Estado de S. Paulo - Atualizado às 8h53 do dia 10

09 Fevereiro 2014 | 15h 46

Tatuador afirmou que já viu o suspeito em outros protestos, mas não sabe seu nome

Preso na manhã deste domingo, o tatuador Fábio Raposo, de 22 anos, concordou em ajudar a polícia a produzir um retrato falado do rapaz que acendeu o rojão que feriu gravemente o cinegrafista Santiago Andrade, em uma manifestação contra o aumento das passagens de ônibus no centro do Rio, na quinta-feira.

Segundo o delegado Maurício Luciano de Almeida, responsável pelo caso, Raposo admite já ter visto o suspeito do crime em outros protestos, mas afirma que não sabe seu nome e ele não faz parte de seu círculo de amigos. Com base em filmagens do momento em que o rojão foi aceso, porém, a polícia acredita que Raposo conheça o rapaz. A expectativa sobre o retrato falado é grande. “Poderá ser o único elemento para reconhecer aquele que deflagrou o artefato”, disse o delegado.

Investigado pelos crimes de explosão e tentativa de homicídio, Raposo teve prisão temporária decretada no último sábado pelo prazo de 30 dias (prorrogáveis por mais 30). Ele foi detido às 6h30 deste domingo, na casa da mãe, no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio. Em troca da colaboração com a polícia, o tatuador espera ter uma futura pena amenizada ou mesmo sua ordem de prisão relaxada.

O advogado de Raposo, Jonas Tadeu Nunes, entrará com recurso pedindo que o prazo da Prisão temporária seja reduzido para cinco dias. Ele aguarda que o pedido de prisão seja encaminhado ao juiz definitivo, já que a ordem foi emitida por um juiz de plantão.

Ao ser preso, Raposo não demonstrou surpresa nem tentou reagir. Ele e seu advogado foram levados pelos policiais ao apartamento onde Raposo mora sozinho, no Méier, zona norte. Com uma ordem de busca e apreensão, a polícia procurou objetos que indicassem a ligação do tatuador com alguma organização. Foram apreendidos três celulares, a memória do computador de Raposo e a bermuda e a camiseta que ele usava durante o protesto. A polícia vai pedir a quebra de sigilo dos aparelhos eletrônicos.

Numa parede do playground do prédio de Raposo estão pichadas as frases “black bloc” e “fuck the police”. Segundo a polícia, um vizinho acusou Raposo pelas pichações. Em depoimento no sábado, o jovem negou ser ligado aos black blocs.

Ele contou que recebeu um telefonema anônimo em que foi pressionado a assumir sozinho a culpa pelo ataque ao cinegrafista, que continua internado em estado grave no Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio, em coma induzido.

Caso fique provado que Raposo já praticou atos em conjunto com algum grupo organizado, o tatuador pode ser enquadrado também pelo crime de organização criminosa, explicou o delegado. Policiais da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) estão tentando recuperar informações apagadas do perfil de Raposo na rede social Facebook.

Prisão.  Após prestar depoimento, o tatuador foi levado ao Instituto Médico Legal e ao presídio Patrícia Acioly, em São Gonçalo, na Região Metropolitana. Seu advogado, que anteontem negou que Raposo conhecesse o rapaz procurado, ontem aconselhou seu cliente a ajudar a polícia a identificá-lo.

 

Freixo. O deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) negou, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, ter ligações com o homem que acendeu o rojão que feriu Santiago Andrade. A relação entre os dois foi apontada pelo advogado Jonas Tadeu, defensor de Fábio Raposo.

A informação, segundo o registro oficial na delegacia, teria surgido de uma conversa por telefone entre o advogado e uma ativista que havia ligado para o celular do estagiário dele. O conteúdo da conversa foi registrado em um "termo de declaração" a pedido do delegado.

Freixo negou conhecer Fábio Raposo ou o responsável por acender o rojão que atingiu o cinegrafista. "Se qualquer manifestante ligou para alguém e disse que a pessoa que jogou a bomba tem algum laço comigo, vai ter que provar isso. Se não provar, seja quem for, será processado", declarou à TV Globo. "Agora, tem que realmente confirmar se disse isso."