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Manifestantes incendeiam ônibus no Rio de Janeiro

Sergio Torres e Mariana Durão

19 Abril 2014 | 14h 08

Moradores se revoltaram depois da morte de jovem de 21 anos baleado na madrugada de sexta-feira

Atualizada às 17h12

 

RIO -  Já são quatro ônibus e três carros incendiados na tarde deste sábado em um protesto de cerca de 30 moradores do bairro Caramujo, em Niterói (cidade na Região Metropolitana), pela morte de Anderson Luiz Santos da Silva, de 21 anos, baleado na cabeça na madrugada de sexta-feira, 18. Os reflexos da manifestação já são sentidos na descida da Ponte Rio Niterói, via de acesso à Região dos Lagos, um dos principais destinos dos cariocas no feriadão.

O protesto foi iniciado após o sepultamento de Anderson, nesta manhã. Os moradores acusam policiais militares de terem baleado o rapaz. Eles montaram barricadas e interditaram, com objetos em chamas, parte da Alameda São Boaventura, uma das principais ruas de Niterói, e da rodovia Amaral Peixoto. O Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChoque) já chegou ao local com cerca de cem homens.Um outro jovem morreu na manhã deste sábado em uma operação no bairro Morro do Céu, vizinho ao Caramujo. Emanoel Gomes, de 17 anos, saía de motocicleta de sua festa de aniversário quando foi atropelado por um blindado da Polícia Militar (PM), chamado de Caveirão.

A Polícia Militar (PM) nega envolvimento na morte de Anderson. A Polícia Civil registrou a causa como bala perdida, disparada durante confronto entre traficantes de drogas e policiais militares. As armas dos PMs envolvidos no tiroteio foram apreendidas, para a realização de perícia. Anderson, que trabalhava como eletricista, foi baleado quando deixava a Igreja Nossa Senhora de Nazareth, onde participara de uma vigília de Páscoa. A irmã dele, de 9 anos, também foi baleada, mas não corre risco de morrer.

A Arquidiocese de Niterói divulgou uma nota lamentando a morte de Anderson. De acordo com a nota, o rapaz atuava na animação musical das celebrações religiosas e ia com sua mãe e sua irmã para a igreja, onde participariam da procissão penitencial. No trajeto que faziam de casa para a igreja, começou um tiroteio entre a polícia e membros da comunidade. "O jovem, procurando defender sua mãe e sua irmã, foi atingido e morreu. Rezamos pelo consolo da família do Anderson, e manifestamos nossa solidariedade a todas as famílias que constantemente enfrentam situações de violência".