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Manifestantes que portavam artefato incendiário serão indiciados, afirma delegado

Laura Maia de Castro - O Estado de S. Paulo

21 Fevereiro 2014 | 20h 41

Material que Fabrício Chaves e Marcos Rosencrantz carregavam em manifestação contra a Copa, em 25 de janeiro, foi periciado pelo Instituto de Criminalística

SÃO PAULO - O laudo químico do exame feito no artefato encontrado com os manifestantes Fabrício Chaves, de 22 anos, e Marcos Rosencrantz, de 25, durante a manifestação de 25 de janeiro comprovou que se trata de material incendiário. Os artefatos foram periciadas pelo Instituto de Criminalística (IC) em parceria com o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). De acordo com o delegado titular do 2.° DP (Consolação), José Marques, os manifestantes serão indiciados na próxima semana.

"Vamos intimar Chaves e Rosencrantz e indiciá-los por desacato, resistência e posse ilegal de produto incendiário, que é uma norma do estatuto do desarmamento", disse Marques. Segundo o delegado, o inquérito será concluído na próxima semana.

Na manhã desta sexta-feira, 21, o Gate fez uma demonstração para a imprensa do potencial do artefato encontrado com os dois. De acordo com a polícia, apenas parte da substância encontrada dentro de latas de alumínio na mochila do manifestante foi usada na demonstração. Ao acender o pavio, a substância pegou fogo de forma localizada, soltando um pouco de fumaça. Depois de alguns segundos, a quantidade de fumaça aumentou, mas não houve explosões.

"A queima feita aqui foi de uma quantidade bem menor do que a encontrada, cerca de uma lata de cerveja cheia", disse o capitão do Gate Ricardo Folkis. Segundo ele, o material não é explosivo, mas sim incendiário. "Dependendo do local que pegue fogo e o tempo de contato com a chama, pode até causar a morte de uma pessoa." Segundo a PM, a composição é feita de açúcares e outras substâncias que, por questões de segurança, não foram reveladas.

Folkis acrescentou que, se jogado perto de veículos, as chamas do artefato poderiam ser potencializadas. "Se jogar debaixo de um ônibus ou um carro, somado ao combustível, poderia causar uma explosão."

O Gate também fez a demonstração da explosão de um rojão de vara semelhante ao que atingiu o cinegrafista Santiago Andrade no Rio de Janeiro. Poucos segundos após ser acionado, o rojão alcançou grande velocidade até chegar a uma distancia de cerca de 50 metros. Depois, explodiu.

Defesa. O defensor público Carlos Weis, responsável pela defesa de Chaves, criticou a demonstração feita pela polícia. "A detonação não tem o menor valor jurídico, apenas valor midiático. É profundamente lamentável", disse.

Chaves foi baleado pela Polícia Militar na região de Higienópolis, em 25 de janeiro, após manifestação contra a Copa do Mundo. Ele foi internado em estado crítico. A tensão gerada pela onda de protestos, com atos de depredação e forte repressão por parte da polícia, fez a presidente Dilma Rousseff (PT) se reunir com sua equipe para traçar estratégia para evitar que as ações cresçam e atinjam o ápice durante a Copa do Mundo.

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