Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Marina deixa PV e ataca todas as siglas

Ex-senadora sai da legenda 2 anos após filiação para disputar Presidência e diz que partidos viraram ''máquinas obcecadas pelo poder''

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2011 | 00h00

No mesmo dia em que o governo enfrentava uma nova crise decorrente das alianças e barganhas políticas que tem feito, a ex-senadora Marina Silva anunciou ontem sua desfiliação do PV com ataques à estrutura partidária do País. "A experiência no PV serviu para sentir até que ponto o sistema político brasileiro está empedernido e sem capacidade de abrir-se para sua própria renovação", afirmou. Para ela, os partidos tornaram-se "máquinas obcecadas pelo poder em si e cada vez mais distantes do mandato de serviço que estão obrigados a prestar à população".

No ato público de desligamento, em São Paulo, vários integrantes do núcleo político que ingressou com Marina no PV também anunciaram sua desfiliação. Entre eles os empresários Guilherme Leal, que disputou a Vice-Presidência, e Ricardo Young, que foi candidato a senador.

Os apoiadores da ex-senadora com cargos parlamentares devem continuar no partido. É o caso do deputado Alfredo Sirkis (RJ), que se afastará apenas a direção do PV do Rio e de outros cargos da estrutura partidária.

Marina deixa o PV nove meses o primeiro turno da eleição da qual saiu com 19,6 milhões de votos, em terceiro lugar. Ela e seu grupo não pretendem criar agora um novo partido político.

Movimento. O que anunciaram ontem foi a criação de um movimento suprapartidário, que poderá se chamar Verdes e Cidadania. Deve agregar políticos de diferentes partidos e organizações identificadas com as propostas de crescimento sustentável. O objetivo segundo Marina é agregar pessoas pelas ideias. "Não é hora de ser pragmática, é hora de ser "sonhática"", brincou.

O mais provável é que o movimento desemboque na criação de um partido em 2013, após as eleições municipais. Em 2012, Marina e seu grupo apoiarão candidatos com os quais tenham afinidade política, não importando a cor da legenda. "Se, na eleição municipal, o PV tiver candidatos afinados com o movimento, nós vamos apoiá-lo. Mas também podemos apoiar uma candidatura do PP que tenha identidade com o projeto sustentável", disse Sirkis.

A característica mais forte do ato público que marcou o desligamento de Marina e de seu grupo do PV foi a crítica à atual estrutura partidária do País. "Os partidos estão perdendo a importância, porque perderam a alma e o sentido de suas propostas", disse o empresário Oded Grajew, que apoiou e participou da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e depois acabou distanciando-se do governo. "O PV e maioria dos partidos se divorciaram do conjunto da sociedade", afirmou Young.

Em resposta às críticas à sigla, a direção da executiva nacional do PV divulgou ontem uma nota na qual afirma que as críticas sobre falta de democracia interna constituem uma "falsa polêmica artificialmente inflada".

CRONOLOGIA

Curta temporada

1988 a 2002

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2003 a 13/5/2008

No ministério

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Agosto de 2009

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