Marina é fator decisivo hoje

O dia da eleição chega com uma dúvida sobre a realização de um segundo turno em face do crescimento da candidata Marina Silva, do PV, nos últimos 10 dias. O PT reconhece a ascensão da ex-companheira, atribui-a ao escândalo na Casa Civil que levou à exoneração de Erenice Guerra, mas não a considera suficiente para evitar a vitória de Dilma Rousseff hoje.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2010 | 00h00

É uma posição formal que esconde uma preocupação menos otimista de que a vitória dada como certa no primeiro turno possa escorregar por entre os dedos, ainda que por uma margem mínima de votos. Sabe o PT que a chamada "onda verde", na verdade, não tem qualquer relação com uma súbita conscientização ecológica de parcela do eleitorado que migrou para Marina.

Marina se beneficia dos votos perdidos por Dilma por causa das denúncias recentes e pela frustração do eleitor historicamente antipetista, insatisfeito com a campanha considerada excessivamente amistosa do tucano José Serra.

De qualquer forma, mesmo um segundo turno não tira ao PT a perspectiva de eleger sua candidata, no que é inteiramente respaldado pelas pesquisas. Assim, o partido continua com um olho na campanha e outro na disputa paralela travada com o PMDB, em torno da composição do futuro governo.

Nesse contexto, são dados como certos no ministério Dilma: Antonio Palocci, Fernando Pimentel, candidato ao senado por Minas, e Gilberto Carvalho, atual chefe de gabinete de Lula.

Bastos x Mendes

A decisão do Supremo Tribunal Federal que considerou suficiente um documento com foto para votar nas eleições de hoje continua fazendo barulho. O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos deu o troco ao ministro Gilmar Mendes, vencido na votação, que o acusou de influenciar colegas da corte por ele indicados. Bastos sugere a Mendes investigação formal sobre o telefonema trocado com Serra antes de pedir vistas, quando a votação estava em 7 a 0 pelo documento único, numa analogia com a tentativa de Joaquim Roriz de contratar como advogado o genro de Ayres Britto para torná-lo impedido de votar no seu processo e, assim, derrubar a Lei da Ficha Limpa. "Fiquei surpreso com a menção ao meu nome, sem qualquer vínculo com a realidade. Embora tenha sido um dos autores da petição inicial do caso, não falei com um único ministro, não entreguei memorial, não fiz sentença oral. Como advogado, acho que o ministro Gilmar Mendes teria muito mais chance de mostrar a todos sua inocência se, à maneira do ministro Ayres Britto, solicitasse à procuradoria uma investigação formal. Esse diversionismo não combina com uma pessoa honrada como ele", disse Bastos à coluna.

Batismo político

O primeiro desafio político de Dilma Rousseff, se eleita, será a intermediação da disputa pelas presidências da Câmara e do Senado entre PMDB e PT. A interlocutores, o líder petista Candido Vaccarezza (PT-SP) é enfático ao afirmar que "não abre mão" da disputa para o cargo. Já o vice na chapa de Dilma e atual presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB), apresentou o líder do PMDB, Henrique Alves (RN), como seu sucessor após um comício em Natal (RN).

Apagando a memória

A liderança nas pesquisas para o Senado em Alagoas encorajou Renan Calheiros (PMDB) a planejar sua volta à presidência do Senado, de onde foi apeado por uma sucessão de escândalos em 2007. Depois de um "mergulho", recuperou a liderança e hoje diz que, absolvido duas vezes pelo plenário, nada existe que possa barrar sua volta ao trono.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.