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Mark Kleiman: 'Questão não é combater as drogas, mas a violência'

Luciano Bottini Filho - O Estado de S. Paulo

23 Maio 2014 | 03h 00

Consultor-chefe do governo do Estado de Washington (EUA) sugere focar áreas problemáticas e abandonar o objetivo de uma sociedade livre de entorpecentes

SÃO PAULO - O "czar do baseado", como é chamado o professor de Políticas Públicas na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, Mark Kleiman, tornou-se consultor-chefe do governo do Estado americano de Washington, um dos primeiros a permitir o uso da maconha, em 2012. O cargo é consequência de uma carreira de 30 anos, na qual defendeu ideias como reduzir os esforços no encarceramento massivo de pequenos traficantes e aprimorar programas contra drogas em locais públicos, usando inteligência e não força bruta.

Ele participa nesta sexta-feira, 23, do "Fórum Estadão Brasil 2018 - Segurança" e falou ao Estado.

Afinal, quais são as melhores atitudes para reduzir o consumo de drogas?

A questão não é lutar contra as drogas. A questão é controlar os efeitos colaterais do mercado ilícito, como a violência. Isso significa identificar tanto organizações criminais quanto indivíduos, estilos e áreas de venda que são particularmente problemáticos. Focar esforços tenderá a forçar os traficantes a um "meio socialmente mais aceitável" de fazer negócio. Então, na maior parte dos Estados Unidos, em vez de traficantes de rua, nós temos agora traficantes com telefones celulares e serviços de entrega. Isso põe o abuso de entorpecentes no seu devido lugar, mas deixa o problema do tráfico. Não é tão importante saber quem controla o mercado. O que você quer fazer é observar a conduta dos participantes do mercado e saber onde a conduta deles está criando problemas e concentrar esforços nessas atividades. O importante é a comercialização, como é o alcance do usuário, a venda de drogas, saber como o traficante se conecta com o comprador. É o que acontece em um local dedicado para o uso, em uma casa de encontro de drogados ou em uma espaço aberto, onde haverá violência.

O que o senhor acha da liberalização da maconha no Uruguai?

Nós vamos saber daqui a cinco anos se foi uma boa ideia ou não, quais serão os verdadeiros resultados. Estou bem interessado. Ninguém sabe ao certo o que vai acontecer, mas parece que eles estão fazendo certo. Eles terão um mercado regulado e não permitirão promoção agressiva de vendas.

Qual país seria um modelo?

Cada país é diferente. Você precisa entender os detalhes da estrutura social e política. Nesse momento, podemos dizer que a França tem uma política brilhante (de redução da violência relacionada às drogas). Mas não podemos ter certeza de que essa política vá funcionar no Brasil. O caminho é definir quais são os objetivos e abandonar o objetivo de uma sociedade livre de drogas.

E as chamadas políticas de redução de danos?

É um slogan para um jeito em particular. Não é uma ideia. O que está errado é ser slogan. Imagine uma droga que mata 1 a cada 100 usuários. Posso reduzir danos fazendo com que ela mate 1 a cada 200, mas isso não diminui o número de usuários. As pessoas falam do lado de diminuir a capacidade da droga de causar danos, não prestam atenção para a equivalência. Uma política compreensiva será boa quando olha para os dois lados da equação.

Serviço

FÓRUNS ESTADÃO BRASIL 2018 - SEGURANÇA

LOCAL: AUDITÓRIO STEFFI E MAX PERLMAN - CAMPUS INSPER: RUA QUATÁ, 300 - VILA OLÍMPIA, SÃO PAULO. VAGAS LIMITADAS

QUANDO: HOJE, A PARTIR DAS 9H

MAIS INFORMAÇÕES: WWW.ESTADAO.COM.BR/TUDO-SOBRE/FORUNS-ESTADAO-BRASIL-2018

TRANSMISSÃO AO VIVO PELA TV ESTADÃO