Paulo Giandalia/AE – 20/9/2010
Paulo Giandalia/AE – 20/9/2010

Matarazzo avisa a Alckmin que sai candidato em 2012

Apoiado por Serra, secretário apresenta seu nome na disputa e muda correlação de forças no PSDB; aliados de governador resistem à ideia

Fernando Gallo e Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2011 | 00h00

Com o aval do ex-governador José Serra (PSDB), o secretário de Cultura, Andrea Matarazzo, reuniu-se anteontem com o governador Geraldo Alckmin para apresentar seu nome como candidato tucano à Prefeitura de São Paulo em 2012.

A decisão de Matarazzo, que conta com apoio de parte da cúpula do PSDB paulista, altera a correlação de forças no partido na corrida municipal do ano que vem.

Primeiro, deixa ainda mais distante a possibilidade de Serra disputar a Prefeitura. Próximo do ex-governador, Matarazzo tem dado os passos de forma casada com ele. Depois, cria um candidato patrocinado pela ala próxima a Serra em contraponto ao grupo do governador Alckmin, que flerta com algumas nomes, mas ainda não tem um candidato oficial.

A reunião entre Matarazzo e o governador ocorreu pela manhã de segunda-feira, por volta das 10h, no Palácio dos Bandeirantes. Oficialmente, seria um encontro para tratar de iniciativas para a divulgação da cultura italiana. Mas o objetivo era tratar do cenário político de 2012.

O nome da deputada Mara Gabrilli chegou a ser sondado pelo grupo de Serra para a disputa. O senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), por exemplo, era um dos que defendiam a parlamentar como opção, por avaliar que ela representaria uma novidade no cenário político, além de ter experiência administrativa - em 2005 Serra a nomeou secretária municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida.

Segundo o Estado apurou, Matarazzo, próximo a Mara Gabrilli, teria atuado para que ela não alimentasse pretensões de entrar na disputa municipal.

Os tucanos que defendem o nome do secretário, no entanto, também o apontam como "novidade" na disputa eleitoral. Após revezamento entre Serra e Alckmin na disputa municipal pelo PSDB desde 1996, seria o momento de lançar um nome novo na eleição. "Acho que seria bom adiantar o relógio", defende um cacique do partido.

A tese da novidade cresceu principalmente após o ex-presidente Luiz Inácio Lula ter dito, publicamente, na semana passada que o nome do ministro Fernando Haddad (Educação) é "adequado" para a disputa.

Sem ter enfrentado uma única eleição, os tucanos acham que, apesar de não ter recall (índice de intenção de voto acumulado de disputas anteriores), Haddad poderia ser uma surpresa ao se beneficiar de um eleitor que busca novidades no quadro político.

Obstáculos. O maior entrave de uma eventual candidatura Matarazzo é diminuir a resistência do grupo de Alckmin. Apesar de ter se mantido aliado ao tucano na disputa municipal de 2008, quando parte do PSDB apoiou a reeleição de Gilberto Kassab, Matarazzo queimou pontes quando o WikiLeaks divulgou documentos com supostas considerações feitas por ele sobre Alckmin (leia ao lado).

O governador defende prévias para escolher o candidato, caso Serra realmente não dispute. Parte de seu grupo apoia a candidatura do secretário José Anibal (Energia), que tem bom trânsito nas bases do partido. Bruno Covas (Meio Ambiente) também é visto com bons olhos no Palácio dos Bandeirantes. Além dos dois, o deputado Ricardo Tripoli também colocou-se no páreo.

Procurado, Matarazzo afirmou que tratou com o governador "exclusivamente" de assuntos da Secretaria de Cultura.

PARA LEMBRAR

Site revelou gafe de secretário

Documentos divulgados pelo site WikiLeaks, em março, relataram suposta conversa do secretário de Cultura, Andrea Matarazzo, com diplomatas americanos, durante a qual ele teria dito que o governador Geraldo Alckmin era ligado à Opus Dei, prelazia conservadora da Igreja Católica.

Em 2006, quando ocupava a Secretaria de Subprefeituras do então prefeito José Serra, Matarazzo encontrou-se com o cônsul americano Christopher McMullen. Na época, Alckmin era o candidato do PSDB à Presidência.

Intitulando-se "serrista", Matarazzo teria feito duras críticas aos alckmistas - classificando-os como "baixo clero". Teria dito que Serra e o senador Aécio Neves não queriam a vitória de Alckmin, e que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso o apoiava "sem qualquer entusiasmo".

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