Julio Cesar Lima/Estadão
Julio Cesar Lima/Estadão

Médica acusada de provocar a morte de pacientes em Curitiba é absolvida

Justiça considerou ter faltado provas suficientes que condenassem Virgínia Soares de Souza; profissional também ganhou uma ação de R$ 4 milhões contra o Hospital Evangélico

Julio Cesar Lima, Especial para O Estado

21 Abril 2017 | 13h54

CURITIBA – A absolvição da médica Virgínia Soares de Souza, presa após a acusação de ter provocado a morte de sete pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico, em Curitiba (PR), foi considerada pela defesa como uma vitória da medicina. A médica – presa em fevereiro de 2013 e solta um mês depois - foi absolvida sumariamente por decisão do juiz Daniel Surdi de Avelar, da 2ª Vara do Júri de Curitiba. A Justiça alegou falta de provas suficientes que a condenassem.

O advogado Elias Mattar Assad comentou, durante entrevista coletiva na manhã de sexta-feira (21), em Curitiba (PR), que as ações da médica não tinham a real compreensão de quem a acusava. “Não foi uma médica, mas a medicina que estava no banco dos réus, a polícia deveria ter uma área especializada, que compreendesse a complexidade de uma rotina de UTI, os termos usados, tudo que diz respeito”, comentou.

Além disso, Assad cita o que considerou uma fraude processual e erros na condução do processo. “Não acredito em erro da polícia, mas trocaram o termo “raciocinar” por “assassinar” em uma transcrição de conversa telefônica. Depois de presa, foi transferida sem ordem judicial da cela onde estava para a Penitenciária Feminina, ou seja, a demonizaram sem prova alguma”, disse.

O Ministério Público já declarou que irá recorrer da sentença. Segundo o promotor Paulo Sérgio Lima, esse é um caso que “a sociedade deverá julgar” e por isso deveria ir a júri popular. “Recorrer é uma conversa de perdedor, a palavra absolvição é definitiva”, disse Assad.

No despacho da Justiça, o juiz Daniel cita que “os depoimentos foram confusos, contraditórios, nebulosos, além de mostrar inexperiência na época e incapacidade de compreender o que se passa na UTI de um grande hospital”.

Com problemas de saúde e atendendo ordens médicas, Virgínia não compareceu à coletiva. “Foi muita emoção para ela a notícia da absolvição”. A médica também ganhou uma ação trabalhista de R$ 4 milhões contra o Hospital Evangélico. Segundo Louise Mattar Assad, que também defendeu Virgínia, também serão realizadas outras ações de indenizações por danos morais. “Entraremos com uma ação contra o Estado, ela teve seu sonho e trabalho destruídos”, avaliou.

Mesmo com sua prisão na época, Virgínia já havia sido inocentada pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) e não teve em momento algum a suspensão de seus direitos de exercer a profissão.

Além de Virgínia também foram absolvidos Maria Israela Bocatto, Edison Anselmo da Silva Júnior, Patrícia Cristina Goveia, Anderson de Freitas e Lais da Rosa Groff.Todos eram acusados pelo Ministério Público de terem praticado homicídios dolosos duplamente qualificados e formação de quadrilha.

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