Médica que chefiava clínica de abortos é presa em MS

A clínica cobra entre R$ 1,5 mil e R$ 20 mil pelos abortos. Pais e namorados das grávidas também serão alvos de investigações da Polícia Civil.

Ricardo Valota

12 Julho 2007 | 04h53

A médica Neide Mota Machado foi presa na noite desta quarta-feira numa chácara localizada na cidade de Terenos, na Grande Campo Grande (MS), a 22 quilômetros da capital mato-grossense, acusada de chefiar a Clínica de Planejamento Familiar, situada na capital, onde abortos eram realizados. Policiais civis e militares da Unidade Integrada de Combate às Organizações Criminosas (UNICOC) estavam à procura da médica há cerca de dois meses. Neide Machado chegou a Campo Grande no final de ontem e até as 2h30 desta quinta-feira ainda prestava depoimento ao delegado André Pacheco. Ainda não foi informado para que unidade prisional será encaminhada a acusada. Neide era considerada foragida depois que teve negado o pedido de habeas-corpus pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para se livrar da prisão preventiva decretada contra ela. Milhares de mulheres realizaram abortos no Estado nos últimos 8 meses. A clínica chegava a cobrar entre R$ 1,5 mil e R$ 20 mil pelos abortos. Pais e namorados das grávidas também serão alvos de investigações da Polícia Civil. Na terça-feira, o Ministério Público Estadual (MPE) denunciou 35 pessoas, das quais nove são funcionários da clínica ou prestadores de serviço. Além da médica, constam ainda na lista dos promotores Simone Aparecida Cantaguessi, Maria Neuma de Souza, Rosângela de Almeida, Libertina de Jesus Centurion, Daniela Martins Athia, Lucas Mota Morenz, Maria Lúcia Cornelas França e Elaine Maria de Souza. Todas foram denunciadas por formação de quadrilha e prática de aborto. Dos 26 restantes, 24 são pacientes e foram denunciadas pelo crime de provocar aborto ou consentir que provoquem. Os outros dois citados pelo MPE são Denis Martins de Souza e Raquel Cristina de Melo.

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