Mesmo sem leilão, trem-bala tem ''ritmo adequado'' para União

O balanço do PAC informa que 76% das ações monitoradas pelo governo estão em ritmo adequado. Essa eficiência, porém, é apenas aparente. Obras que estouraram completamente o cronograma foram classificadas como adequadas. Foram fixadas novas datas para a conclusão dessas obras, sem menção aos prazos estabelecidos anteriormente.

Lu Aiko Otta e Edna Simão, O Estado de S.Paulo

30 Julho 2011 | 00h00

É o caso do trem-bala, que deveria ter sido licitado em abril, segundo meta estabelecida no último balanço do PAC no governo Lula, divulgado em dezembro. Primeiro, o leilão foi adiado para julho. No último dia 11, as empresas interessadas deveriam apresentar suas propostas, mas nenhuma candidata apareceu. Não há previsão para a nova data do leilão. Ainda assim, o ritmo do projeto é considerado adequado.

O mesmo ocorreu com obras como o Comperj, complexo petroquímico no Rio, e a usina hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira. Previsto para 31 de dezembro de 2013, o complexo ficou para 31 de março de 2015, e a usina foi adiada de 20 de dezembro de 2011 para 30 de novembro de 2015. Mas o ritmo de ambos é considerado adequado.

Fora isso, os dados apresentados ontem dificultam a comparação com informações disponíveis no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). Foram expurgados os gastos do Minha Casa, Minha Vida, melhorando o índice de realização.

Gil Castelo Branco, economista da Contas Abertas, acha que isso ocorreu porque o programa enfrenta dificuldades de execução. A ministra Miriam Belchior (Planejamento) disse que o balanço do Minha Casa, Minha Vida e das ações do PAC para Copa e Olimpíada serão divulgados em outra ocasião. "O que vai mal é à parte", ironizou Gil.

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