Milícia teria organizado seqüestro de chineses no Rio

Três chineses foram feitos reféns na Vila Cruzeiro e seqüestro seria para empresa pagar por proteção

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

20 Agosto 2008 | 09h50

As investigações sobre os responsáveis pelo seqüestro de três chineses e um vietnamita no Rio devem continuar nesta quarta-feira, 20. No entanto, uma nova linha de investigação ganha força: milicianos teriam entregado os estrangeiros a traficantes da Vila Cruzeiro. O ato seria uma ameaça para que a empresa onde eles trabalhavam - a Companhia Siderúrgica do Atlântico, em Santa Cruz (zona oeste) - pagasse proteção.   Veja também: Galeria com fotos da operação     A ligação entre milicianos e traficantes da Vila Cruzeiro é antiga. Em setembro de 2000, dois cabos eleitorais do vereador Jerominho, atualmente preso, foram detidos junto com o traficante Levi Batista da Penha, o Baby, em um almoço na churrascaria Boizão, em Campo Grande (zona oeste). Mesmo na prisão, o traficante deu ordens para que na favela só a propaganda política de Jerominho fosse permitida.   Na terça, a polícia utilizou mais de 250 agentes para levar o chinês naturalizado brasileiro Liu Chang Hong à Vila Cruzeiro, na Penha (zona norte) onde ele reconheceu o local onde foi mantido em cativeiro por quase 28 horas, após ser levado na manhã de sábado por criminosos junto com outros dois chineses e um diplomata vietnamita, em uma falsa blitz, na Estrada das Paineiras (zona sul). A favela já estava ocupada pelo Batalhão de Operações Especiais, o Bope, desde a tarde de anteontem e não houve confrontos.   "O local do cativeiro foi encontrado, alguns bens foram apreendidos e a carcaça queimada de um dos veículos utilizados foi recuperado. Tudo será periciado", disse o delegado-titular da Delegacia Especial de Atendimento ao Turista, Fernando Veloso. Entre os itens apreendidos estão espelhos cujas digitais serão comparadas com as impressões dos suspeitos já identificados.   Veloso avaliou que o cenário encontrado na favela confirma a veracidade do depoimento dos estrangeiros. O chinês contou à polícia que as vítimas ficaram na favela dentro de um carro até 3 horas de domingo, foram retirados vendados para o cativeiro e fugiram às 14 horas. Os reféns ficaram em um buraco dentro de um casa em construção, sem portas, janelas ou teto. A entrada era fechada por uma caixa-d'água cheia de tijolos.   Veloso reconheceu que não houve avanço sobre os motivos que levaram traficantes da Vila Cruzeiro a cruzar a cidade e seqüestrar trabalhadores chineses na zona sul.   A polícia encontrou em um outro barraco, em Vacaria, próximo do cativeiro, meia tonelada de maconha, cerveja, giroscópios de carros da polícia, um Vectra roubado e motos sem documentação. Uma central de distribuição de sinal de TV a cabo foi descoberta além de uma câmera, que monitorava o movimento nas ruas da favela. A Polícia Federal informou ontem que os chineses estão em situação regular no País.      

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