Andressa Anholete / France Presse
Andressa Anholete / France Presse

Militares em Natal passam de mil em operação de patrulha; frota de ônibus é reduzida

Armados com fuzis, soldados das Forças Amadas eram vistos em diversos pontos da cidade, inclusive a turística praia de Ponta Negra, a mais movimentada da cidade. A expectativa é que ainda hoje todos os 1.846 militares previstos para a operação já estejam atuando

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2017 | 13h43

NATAL - A Operação das Forças Armadas em Natal atingiu neste sábado (21) um efetivo superior a 1,4 mil homens na capital do Rio Grande do Norte e região metropolitana. Armados com fuzis, eles eram vistos em diversos pontos da cidade, inclusive a turística praia de Ponta Negra, a mais movimentada da cidade. A expectativa é que ainda hoje todos os 1.846 militares previstos para a operação já estejam atuando. A presença das Forças Armadas foi requisitada pelo governo do Estado após uma série de ataques na cidade e no interior. As equipes devem permanecer em território potiguar até o dia 30 de janeiro.

Mesmo com o reforço que já  atuava desde a sexta à noite, um carro foi incendiado na madrugada deste sábado no bairro de Felipe Camarão, zona oeste. Ninguém foi preso. Em negociação com órgãos de segurança, empresas e funcionários do transporte público haviam se comprometido a circular com frota reduzida.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse, em Natal, que não iria admitir a retomada dos ataques, que atingiu principalmente veículos do transporte público e carros oficiais do Estado. Ao todo, 26 ônibus, cinco carros e quatro delegacias foram atacadas desde quarta. "Como da vez anterior, esperamos que a ordem pública e a tranquilidade sejam asseguradas. Não vamos admitir descontrole nem que venha a imperar o medo e a desordem. Esse é o nosso papel", disse.

Com a situação na Penitenciária Estadual de Alcaçuz ainda fora de controle, chegando ao oitavo dia de rebelião, Jungmann negou qualquer possibilidade de atuar no local. "Não entraremos em nenhum presídio onde exista a possibilidade de revolta, instabilidade ou crise. Só faremos vistorias quando os órgãos de inteligência derem garantia de que isso não acirrará os ânimos", disse. "Reitero que as Forças Armadas não entrarão em contato com os presos, não vão reprimir facções e farão exclusivamente a varredura nas uniddes prisionais", acrescentou. 

Circulação. A sensação de insegurança deve continuar afetando a circulação dos ônibus da capital ao menos até amanhã. O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Rio Grande do Norte (Sintro-RN) informou que os veículos deverão rodar em horário reduzido, das 6h às 18h, e também com frota reduzida diante do risco dos últimos dias. Serão 200 dos 630 veículos nas ruas.

"Ficou definido que a Guarda Municipal e a Polícia Militar estarão presentes nas garagens e terminais de ônibus, bem como nos principais corredores de transporte da cidade fazendo a segurança da população e dos veículos. A expectativa é que na segunda-feira 100% da frota já esteja nas ruas", informou em nota o secretário adjunto de trânsito da Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (STTU), Walter Pedro.

Desde a quarta-feira passada, quando 11 ônibus foram queimados, que a circulação está afetada. Mais de 400 mil pessoas dependem do transporte público em Natal. Para ir ao trabalho durante a semana, a doméstica Verônica Barros, de 47 anos, ficou dependendo de carona de familiares. "Minha sobrinha está indo me deixar e me pegar. Infelizmente, a gente fica exposta a esses riscos. Enquanto os policiais estão lá em Alcaçuz, a gente aqui fica desprotegido", disse.

Menos ônibus nas ruas também alterou a rotina da fonoaudióloga Mical Tibne, de 25 anos, que viu o tempo de espera pelo transporte alternativo passar de 15 minutos para uma hora. "A gente tem medo de ficar em casa e a gente tem medo de sair de casa", disse. 

Na parada de ônibus, o atendente de telemarketing Felipe Julio esperava a van contratada pela empresa para buscar os funcionários. "Eles combinaram esse ponto de encontro e tive de me virar para chegar aqui. Já estou bastante atrasado", disse ele no bairro do Tirol, na zona leste de Natal.

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