Ministério Público prende mais três por fraudes no leite no RS

Proprietários de duas marcas mandavam pôr ainda outros produtos em lotes que estavam deteriorando

Elder Ogliari, O Estado de S. Paulo

08 Maio 2014 | 11h31

Atualizada às 21h11

PORTO ALEGRE - O Ministério Público Estadual e o Ministério da Agricultura detectaram nesta quinta-feira, 8, mais um esquema de adulteração do leite no Rio Grande do Sul, desta vez dentro de indústrias, na quinta fase da Operação Leite Compen$ado. Portando mandados da Justiça e com apoio da Brigada Militar, uma equipe de promotores prendeu 3 suspeitos e apreendeu 34 caminhões, documentos e produtos usados na fraude em cidades do Vale do Taquari e da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Segundo o Ministério Público, na nova investigação ficou comprovado que os proprietários da Pavlat, Ércio Vanor Klein, e da Hollmann, Sérgio Seewald, e também o responsável pela política leiteira da Hollmann, Jonatas William Krombauer, davam ordens para que subordinados corrigissem a acidez de leite que estava se deteriorando com a adição de produtos como citrato, soda cáustica, bicarbonato de sódio e água oxigenada. Os três foram presos em Paverama e Imigrante, sedes, respectivamente, da Pavlat e da Hollmann.

A investigação usou dados da Receita Estadual e descobriu que as duas empresas compraram as substâncias em larga escala. Quase ao mesmo tempo, 91 laudos detectaram não conformidade do leite com as normas de qualidade exigidas pelo Ministério da Agricultura. Os promotores ligados ao caso estimam que 1 milhão de litros de leite fora do padrão foram envasados ou transformados em derivados e seguiram para venda no próprio Vale do Taquari, na Região Metropolitana de Porto Alegre e em Florianópolis. Os lotes suspeitos já teriam sido consumidos ou descartados.

"Genocídio". Ao emitir os mandados de prisão preventiva, a juíza de Teutônia, Patrícia Stelmar Netto, chegou a tratar o caso como de "envenenamento em massa, beirando o genocídio". A equipe do Ministério Público foi mais branda nas palavras e admitiu que, na maioria dos casos, o leite adulterado acaba diluído em volumes maiores, de leite, adequado às normas.

As duas empresas investigadas não vão paralisar as atividades. Elas entraram em Regime Especial de Fiscalização, sob intervenção do Ministério da Agricultura. Com isso, técnicos do órgão ficarão dentro das unidades industriais, testando todo o leite que chega e sai.

Em nota, a Inovare Beneficiadora de Alimentos, detentora da marca Pavlat, informou que espera ter conhecimento da denúncia formal para apresentar defesa. A Hollmann não atendeu a reportagem. A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) orientou os associados a interromperem preventivamente a comercialização dos leites das duas marcas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.